10 de novembro de 2009

A UNIBAN PEDIU ARREGO!






Depois de tanto arroto moralista sem fundamentos, depois das absurdas alegações para justificarem o inqualificável e injustificável comportamento de alunos, professores e funcionários (muitos dentre estes também participaram do horror coletivo), contra Geisy, a UNIBAN pediu arrego, voltou atrás na decisão de expulsar a aluna, tremeu nas bases, diante da reação pública e das ameaças de depuramento da verdade que vem de instituições sérias e respeitadas.  Vejam, abaixo, a nota publicada no Extra Online:


SÃO PAULO - A Universidade Bandeirante (Uniban) decidiu revogar no início da noite desta segunda-feira a decisão de expulsar a estudante Geisy Villa Nova Arruda, de 20 anos. A aluna foi expulsa da universidade, neste fim de semana, após ser hostilizada por alunos por comparecer à aula usando minissaia. A revogação foi anunciada em nota pela universidade. Não há detalhes sobre as razões que fizeram a Uniban voltar atrás. Veja a íntegra da nota.



"O reitor da Universidade Bandeirante - Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão."


Procurado pelo site do Globo, o advogado da Uniban Décio Machado, confirmou a decisão e disse que as razões que levaram a universidade a voltar atrás serão explicadas apenas nesta terça-feira. No fim de semana, Machado disse que a decisão era irrevogável. O advogado Nehemias Melo, que defende a estudante, disse no início da noite que ainda não havia sido comunicado pela universidade da decisão.


Melo considera que a estudante foi vítima de pelo menos sete crimes no episódio: difamação, injúria, ameaça, constrangimento, cárcere privado (ela chegou a ser trancada na sala, segundo os advogados), incitação ao crime, atos obscenos por parte dos alunos que a hostilizaram, além de eventuais ilícitios contra a própria dignidade da estudante.


Nesta segunda-feira pela manhã, dois defensores que representam a jovem estiveram na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Bernardo do Campo, onde foi aberto um inquérito para apurar o crime de injúria. Mesmo com o recuo da universidade na expulsão, o inquérito vai prosseguir.


O advogado queria que a estudante pudesse pelo menos terminar o segundo semestre do curso de Turismo na universidade. Com isso, ela não perderia as mensalidades já pagas neste semestre. Ele pretendia entrar com pedido de liminar nesta terça.


A estudante disse que pretende procurar outra universidade no ano que vem, mas que gostaria de evitar o prejuízo e concluir o ano. Ela disse que foi vítima preconceito, tanto por parte dos colegas que a hostilizaram, quanto por parte da universidade. .


- No dia 22, quinta-feira (quando ocorreu a hostilidade), me senti culpada, um lixo. Agora acho que fui vítima da situação ". E senti isso justamente porque a faculdade me colocou naquela situação, de achar que eu era a culpada de toda aquela manifestação. Na verdade senti muito medo. Fui a vítima da situação - disse Geisy, acrescentando que passará a fazer acompanhamento psicológico nos próximos dias.




No inquérito aberto em São Bernardo, a polícia vai ouvir alunos que participaram do episódio e que foram suspensos pela universidade, além de fiscais de disciplina e professores envolvidos no caso. Imagens de vídeos divulgados no Youtube e das câmeras do circuito interno do campus da Uniban onde aconteceu a hostilidade também deverão ser analisados.


O Procon de São Paulo também vai investigar se a universidade feriu de alguma forma o, Código de Defesa do Consumidor. . O Ministério da Educação deu dez dias para que a Uniban explique as razões que levaram a reitoria a decidir pelo desligamento da estudante. O Ministério Público Federal também vai investigar o caso.


No Congresso Nacional, deputados querem que a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados promova um debate sobre o caso.


Neste fim de semana, a Uniban publicou comunicado em jornais de São Paulo informando o desligamento da aluna por 'desrespeitar princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade'. Segundo o advogado Nehemias Melo, um dos defensores de Geisy, a sindicância que culminou com a expulsão da universitária foi típica ' de um tribunal de exceção, nazi-fascita'.


- Essa medida me deixou perplexo, apesar de já antevermos essa possibilidade. Foi uma atitude deplorável. Nos vimos novamente nos porões do antigo DOI-Codi, sendo julgados por um tribunal de exceção, nazi-fascista - salienta Melo, ao falar da sindicância e do direito de defesa cerceado da estudante durante o procedimento interno da Uniban.


Segundo o advogado, a defesa de Geisy não teve acesso à sindicância e' constrangeu' a estudante durante o depoimento dela à universidade. O Ministério Público Federal em São Paulo abriu Inquérito Civil Público (ICP) para apurar as circunstâncias da expulsão da jovem.


- Durante mais de 3 horas, Geisy foi questionada principalmente sobre sua vida pessoal. Quiseram saber com quem ela já teve relações, como ela se vestia etc. Qual é a educação que uma universidade que expulsa uma aluna pelo jeito dela se vestir e permite que fique impunes outros 700 alunos dá aos jovens do Brasil? - questiona o advogado.


O advogado da universidade, Décio Lencioni Machado, disse que Geisy não foi expulsa por causa da minissaia, mas de sua postura. Para ele, a estudante " afrontou os princípios de dignidade e moral previstos no regimento da instituição".


Em nota publicada nos jornais deste domingo, comunicando a expulsão, a Uniban diz que a "aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente, apesar de alertada, não modificou seu comportamento". A nota diz ainda que: "no dia dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição". E a que "atitude provocativa da aluna resultou em uma reação coletiva de defesa do ambiente escolar". A expulsão foi noticiada na versão na internet do jornal americano The New York Times e no inglês, The Guardian.


A União Nacional dos Estudantes (UNE) e organizações de mulheres realizaram uma manifestação na porta da Uniban nesta segunda.




A quem não gostar da minha reiterada defesa à Geisy, lembro que o FEMININA E PLURAL é um blog dedicado à Mulher. Assim, tanto louva, defende e divulga o que é louvável e defensável nas mulheres, quanto censura e execra o que , nelas, merece o dedo em riste. Portando, mais uma vez e quantas sejam necessárias, vou à luta contra a violência contra Geisy.

É uma indignidade a descabida acusação à Geisy pelo advogado da UNIBAN, segundo a qual A aluna “não foi expulsa por causa da minissaia, mas devido à sua postura. Para ele, a estudante “AFRONTOU OS PRINCÍPIOS DE DIGNIDADE E MORAL, previstos no regimento da instituição".


Isto quer dizer que, os 700 canalhas em histeria que agrediram a aluna estavam agindo dentro dos princípios de dignidade e moral defendidos pela UNIBAN. A postura dos 700 trogloditas foi corretíssima e digna de louvores, inclusive merecedora de uma simples suspensão como punição.


Certamente, quando estes mesmos insanos ficam aos amassos pelos corredores, pátios e até nos toillets estão agindo dentro dos princípios da moral ditados pela UNIBAN.


Neste caso, consumir drogas, embriagar-se, estuprar, bater em mulher também é corretíssimo nos intramuros da UNIBAN. Não é a primeira vez que alunas são vítimas de agressões nesta universidade, já tentaram violências contra uma jovem que recusou-se participar de uma greve.


Na UNIBAN, o que é imoral e fere os altíssimos princípios da dignidade e da moral, é um vestido rosa com mini saia. Decerto nenhuma aluna ousa vestir uma mini saia, uma calça de umbigo de fora ou uma batinha curta. Decerto as menininhas moralistas que fizeram coro com a turba estavam vestidas com uma burka.


QUANTA HIPOCRISIA! BANDO DE FARISEUS!


ORA FAÇAM-ME O FAVOR! Não estamos mais nos tempos das cavernas, a mini saia existe desde a década de 60 do século passado.


QUE ESPÉCIE DE UNIVERSIDADE É A UNIBAN? QUE TIPO DE PROFISSIONAL VAI SAIR DE UM MUNDINHO TÃO MESQUINHO, TÃO ATRASADO? COMO SE PODE CONCEBER A EXISTÊNCIA DE MENTALIDADES TÃO ESTREITAS EM UM AMBIENTE DE ESTUDOS SUPERIORES?

É REVOLTANTE TUDO ISTO!  É INCONCEBÍVEL!


3 comentários :

Eva disse...

ABRINDO O HALOS.

Maria José Serqueira disse...

Eva, tens meu apoio integral em tuas defesas à Geisy. Se eu tivesse um blog, faria o mesmo.

Anônimo disse...

Estou aplaudindo de pé o que você escreveu. sinto a vergonha alheia com discriminação e agressões contra mulheres.