5 de maio de 2017

A incrível Rita Lee em entrevista com Pedro Bial.

0 COMENTÁRIOS


“Rainha”, como é chamada por Pedro Bial, Rita Lee abre uma exceção em sua vida – agora bastante reclusa – e chega ao ‘Conversa com Bial’ desta última quarta-feira, dia 03, para reviver algumas memórias que estão em sua autobiografia e também registradas em arquivos da televisão. Assim como os cabelos vermelhos, ficaram para trás também algumas ideias, alguns pensamentos.
Ao repetir uma pergunta feita à cantora em 1985 (“O que é uma atitude rock’n’roll?”), o apresentador ouve uma resposta inesperada. “Atitude rock é cuidar da minha horta, dos tomatinhos, da alface, da couve, do rabanete”, afirma Rita, com a maior tranquilidade. “Lá em casa, eu cuido dos bichos e da faxina. O Roberto cuida das plantas e é o cozinheiro”, explica a artista a respeito da rotina que adotou desde que deixou os palcos, em 2012. “Eu componho ainda. Não larguei a música, só larguei o palco. Pulei durante mais de 50 anos, tá bom, né?!”
Por mais que não tenha tido a intenção de, a priori, fazer um livro de suas memórias, o projeto de colocar no papel as histórias da vida pessoal e da carreira não poderia ter dado mais certo. “Achei que ninguém fosse ler. Eu escrevia no meu iPad o que ia puxando da memória, mas nunca pensei em lançar. Fiz daquilo um diário e fui pegando gosto de lembrar das coisas. Exorcizei alguns dramas, ri das coisas que fiz. E eu esculacho pra chuchu!”, conta Rita ao ouvir o comentário de Bial sobre o fato de ela não ter poupado nem mesmo alguns assuntos considerados mais polêmicos, como o caso do estupro vivido na infância e todas as experiências com drogas. “Estou limpa há 11 anos, desde que minha neta nasceu. Canalizei minha energia e estou achando muito louco esse negócio de ser careta”, completa, arrancando risos da plateia.
Em um outro tipo de viagem, desta vez pelo tempo, Rita Lee traz ao programa algumas peças de acervo pessoal que ela mantém no sótão de sua casa. Vestidos usados em clipes e capas de discos estão no palco, enquanto são exibidas as imagens de referência de cada um deles no telão. Já que é para relembrar, a banda do programa aproveita e toca trechos dos grandes sucessos da cantora, sempre acompanhada pelo coro da plateia. De presente para os fãs, a rainha ainda arrisca alguns passos de rock’n’roll e mostra que tem, ainda, muita história por fazer, seja onde for."
Uma delícia de entrevista! Divertida, inteligente, incrivelmente transparente! Longa vida para Rita!


Exibido após o ‘Jornal da Globo’, ‘Conversa com Bial’ tem direção artística de Monica Almeida e direção de conteúdo de Ingo Ostrovsky.

4 de maio de 2017

Carmen Lúcia, Presidente do Supremo Tribunal Federal: Uma encantadora mulher!

2 COMENTÁRIOS


             Foto: Ramón Vasconcelos / Globo/ Divulgação / Globo/ Divulgação 

A aguardada estreia do Conversa com Bial ocorreu em alto nível. Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, monopolizou o bate-papo com Pedro Bial e a atriz Fernanda Torres. Mais do que uma conversa propriamente dita – proposta inicial do talk show exposta já em seu título, é bom lembrar –, a atração começou como um convite ao ouvir. 
A ministra falou, contou piada, fez referências intelectuais e revelou casos do dia a dia. Bial interveio com poucos questionamentos, parecendo ainda tímido na nova função.
No fim das contas, Cármen brilhou, e Bial se mostrou um bom ouvinte. Essa equação pode ter tirado um pouco da pompa da estreia do talk show substituto de Jô Soares na Globo. 
Nesse formato, novo na carreira do jornalista, espera-se que o apresentador dê o tom de fato, imprima seu ritmo, tenha uma marca. Bial optou pela posição de bom amigo, não se viu "o show". Mas o talk apareceu. Cármen falou sobre a Lava-Jato, a aposentadoria do ministro Celso de Melo, a possível candidatura de Lula e a corrupção. Se mostrou apaixonada pelo Brasil e por sua profissão de funcionária pública.
– Meus ombros comportam o mundo. Aguentam a esperança do mundo inteiro – afirmou a mineira quando questionada sobre a esperança da sociedade em seu cargo.
A convidada afirmou que a Lava-Jato segue firme, e poucos povos têm a coragem de encarar o problema da corrupção de frente:
– Não admitiremos mais isso porque o direito brasileiro não admite, porque o direito é fruto do que o povo quer, e o povo não quer mais isso. Ponto.
As questões sérias foram permeadas pelo surpreendente bom humor de Cármen. No alto de seus 63 anos, fez o público cair na risada – principalmente ao revelar seus diálogos com os taxistas. Rápida, respondia de forma espirituosa até as questões mais complicadas.
– Vocês homens, em geral, mentem para nós mulheres. Mas a gente faz de conta que não presta atenção – opinou sobre a possível aposentaria de Celso de Melo.
Bial exibiu alguns discursos de Cármen no Supremo, assim como um trecho da entrevista feita por ele com José Mujica, ex-presidente do Uruguai. Trouxe para a roda a discussão das biografias não autorizadas e da liberdade de fala. A mineira relembrou a época em que foi interna em um colégio de freiras, das privações envolvidas, do pouco diálogo. Também comentou do período na faculdade de Direito durante a ditadura militar.
– Não tenho vocação para ser infeliz – disse, taxativa.
Na metade do programa, Fernanda Torres sentou no sofá para participar da conversa. Com ironia, falou da situação de Sérgio Cabral, das políticas públicas e do mau gerenciamento dos recursos. Mas, na prática, foi ofuscada pela performance de Cármen com as palavras, assim como Bial.
– Não estou te deixando falar – afirmou a ministra, constrangida, encarando o apresentador.

Por: Nathália Carapeços

03/05/2017 - 09h40min | Atualizada em 03/05/2017 - 09h57min

1 de maio de 2017

"Sofri assédio a minha vida toda, diz Núbia Óliiver.

0 COMENTÁRIOS


"Sofri assédio a minha vida toda. De um simples galanteio com cunho sexual na rua até ser trancada dentro de um apartamento por homem que queria transar comigo." As palavras são da modelo e atriz Núbia Óliiver.
Ela revelou detalhes da tentativa de estupro sofrida no início da carreira. "Aconteceu com um diretor famoso de uma grande emissora e que continua na ativa. Eu já fazia pequenas participações em programas e estava correndo atrás de um teste para uma novela e ele me convidou para conversar na casa dele. Fui inocente? Fui, mas quem não ficaria empolgada com uma oportunidade? Não vi maldades", lembra Núbia.

                Imagem: Reprodução/Instagram/@nubiaoliiver
O “teste” até começou mesmo com uma leitura de textos, mas aos poucos o tal diretor foi revelando suas segundas intenções. Pior. Trancou as portas e escondeu as chaves para desespero de Núbia que só conseguiu sair daquela situação quando conseguiu chegar perto de uma janela e ameaçou fazer um escândalo na vizinhança.
"O homem ficou uma fera e jurou que se eu fosse embora sem transar com ele, eu nunca mais faria uma participação na emissora. Nunca mais fui chamada para fazer nada."
Núbia não denunciou na época o diretor e preferiu fingir que nada aconteceu daquela vez e de tantas outras vezes que foi chamada para malfadado "teste do sofá”.
Com 43 anos de idade e 23 de carreira, ela nunca teve problemas em exibir o corpo: já posou nua 17 vezes e perdeu a conta de quantos trabalhos sensuais fez na vida, mas a modelo lembra que assédio acontece com muitas mulheres, independente da profissão e da condição social.
"A mulher bonita que disser que nunca tem que sofreu um assédio está mentindo. Tem o moral, sim, mas a maioria é sexual mesmo: querem uma coisa em troca de sexo e isso acontece em todos os meios, todos os níveis sociais. Eu fiquei calada por medo, por vergonha e por aquela coisa cultural de que a 'mulher tem que ser dar o respeito'. Hoje, a coisa mudou de figura. Graças a Deus”, comemora.
Mãe de uma adolescente de 13 anos, Núbia vibra com cada denúncia de assédio. "Eu tenho acompanhado todos. Não me assusto, mas me surpreendo com a coragem dessas meninas. Elas estão arrombando as portas e janelas para que outras mulheres façam o mesmo. Quem imaginaria ver um galã, ver empresários e autoridades denunciados? Quem imaginaria ver as mulheres não se curvarem mais diante de um relacionamento abusivo?", vibra.
Núbia Òliiver diz que já sentiu uma diferença na abordagem masculina nos últimos meses: ”Agora é um fato: um homem tem que pensar duas vezes na hora de fazer um elogio jocoso ou uma cantada nonsense, que no fundo, fundo é aquela coisa 'se colar, colou'. Eu já percebo mais respeito nas ruas e nos encontros de trabalhos. Os olhares são menos gulosos e os gracejos cercados de cuidados".

Autora:Ana Cora Lima
Fonte: Do UOL, no Rio
01/05/2017 04h00