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26 de setembro de 2014

Sarney, o maior cabo eleitoral de Marina!

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Não será o retrato do Brasil atual que elegerá Dilma, Marina ou Aécio. Cada candidato extrairá da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) os números que melhor sustentam seus discursos.
Não será o beijo de Chico Buarque na mão de Dilma que a reelegerá. Não será o beijo de Gilberto Gil na testa de Marina que elegerá aquela que passou fome na infância e se desgarrou do PT. Não será o apaixonado apoio das socialites que elegerá o tucano Aécio.
Não são os programas de governo que decidirão tampouco, porque, até sexta-feira, nem Dilma nem Aécio haviam tido a coragem de expor suas propostas. Não serão os evangélicos, os católicos ou os ateus que elegerão o novo presidente. Não serão os gays. Nem os héteros. Não serão as mulheres pró ou contra o direito ao aborto. Não serão os ambientalistas ou os devastadores da floresta. Não serão os banqueiros – esses então, nunca! Mesmo que seus lucros tenham batido recordes nos 12 anos de PT, os banqueiros são os piores cabos eleitorais neste Brasil hoje estagnado e com algumas bombas-relógio armadas por Dilma.
Não serão, claro, os jornalistas que elegerão o próximo presidente, num país que continua com 13 milhões de analfabetos, além dos 30 milhões de analfabetos funcionais, com dificuldade para interpretar um texto. O PT e os militantes totalitários que acusam a imprensa de “fascismo” esquecem que Lula foi incensado pelos mesmos jornais que estão aí hoje, ao ser eleito em 2002. Havia, na imprensa, a rejeição da estratégia falaciosa do medo – a mesma que Dilma usa hoje contra sua maior adversária, Marina.
Lula encarnava uma imensa esperança de o Brasil se tornar mais ético, com uma “nova política”, ancorada na ética e na honestidade. A palavra ética desapareceu para sempre dos programas e das bandeiras do PT. É muito improvável que figure no programa de Dilma. Cara de pau tem limite.
O eleitor, com fé e razão, esperava com o PT um Brasil que investisse pesado em educação, saúde, transporte, segurança e infraestrutura. Um Brasil cujo governo não escondesse dólares na cueca, na bolsa, no banco do carro, na valise. Um Brasil em que a roubalheira não se tornasse institucionalizada, e os desvios de verba pública não se tornassem tão corriqueiros, enlameando até a Petrobras.
Um Brasil que valorizasse a meritocracia, em vez de criar uma casta de “sindicalistas aspones” milionários. Um Brasil que não transformasse corruptos em conselheiros do Poder. Que não criasse mais de 30 Ministérios e mais de 20 mil cargos comissionados na administração direta. Esperávamos um Brasil que não trocasse projeto de governo por projeto de poder, em que o fim justifica os meios.
Será que, como diz Dilma, se Marina for eleita, “banqueiros” farão desaparecer a comida da mesa dos brasileiros? Dilma apoiou a autonomia do Banco Central em 2010 e já percebeu que exagerou ao transformar Marina na “exterminadora do futuro”. Onde está a Comissão da Verdade?
Nesse vendaval de mentiras, só engolidas pelos desinformados ou de má-fé, apareceu, nas hostes do governo, o maior cabo eleitoral de Marina até agora: José Sarney. “Dona Marina, com essa cara de santinha, mas (não tem) ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você.” Sarney estava em São Luís, no palanque de Lobão Filho (PMDB), filho do ministro Edison Lobão, candidato ao governo do Maranhão com seu apoio e de sua filha Roseana.
Sarney foi chamado por Lula, em 1986, de “grileiro do Maranhão” e, em 1987, de “o maior ladrão da Nova República” – perto de Sarney, Maluf não passava de “um trombadinha”. Com Lula eleito, viraram irmãos de sangue, prontos a duelar um pelo outro. Sarney sobreviveu incólume a acusações de improbidade, em três mandatos do PT, com a bênção e o beija-mão de Lula e Dilma. Tornou-se o coronel da Casa Grande de Brasília, o “homem incomum”. Imagino como Marina comemorou a declaração de Sarney.
Ninguém sabe direito a cara da nova política, mas todo mundo conhece a cara da velha. O mínimo que se pede ao novo presidente é honestidade. Dilma deve implorar a Collor que não a defenda em público e não ataque Marina. É que pega mal. Já chega o Sarney.
Marina celebrou o ataque dele. Ninguém sabe a cara da nova política – e todos conhecem a velha

RUTH DE AQUINO
19/09/2014 21h02 -

22 de setembro de 2014

Um governo ético começa na campanha.

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A boataria é parte da estratégia que adotaram para tentar vencer essas eleições: desqualificar e difamar ao máximo a única candidatura que ameaça a reeleição de Dilma Rousseff, difundindo o medo. Esse jogo baixo faz com que estejamos tendo a eleição mais suja do período pós-ditadura.
Por que os petistas, tão difamados no passado, quando opunham a esperança ao medo – lembram-se?- agem desse modo?

A resposta é óbvia: após 12 anos de PT no poder, o que têm a apresentar aos eleitores não é suficiente para garantir a reeleição. A economia está em recessão técnica, com o segundo menor PIB da América Latina e percepção de inflação bem mais alta do que sugerem os índices, além de desindustrialização e sinais generalizados de retração da atividade econômica; a Petrobras, sabe-se agora, além de barbeiragens a granel, vinha sendo dilapidada pela corrupção; a violência torna-se epidêmica; a saúde alterna macas nos corredores e falta crônica de remédios, inclusive para doenças graves. Isso sem citar os efeitos da combinação de autoritarismo com modelo arcaico de desenvolvimento.

Como angariar eleitores com tal "currículo"? Resta aos petistas difamar o adversário para subtrair-lhe votos, sem a mínima consideração com a ética na política, na base do vale-tudo. Daí o fato de até a presidente Dilma Rousseff negligenciar a liturgia do cargo e, tal como uma Regina Duarte rediviva, viajar o Brasil divulgando os horrores que, segundo ela, nos trará uma presidência Marina Silva.

Acontece que a baixaria não é fruto apenas do voluntarismo de militantes aloprados. Segundo reportagem desta semana da revista Época, a campanha de ataques vem sendo coordenada a partir do Muda Mais, instituto de Franklin Martins que, por razões óbvias, primeiro quis atuar incógnito, depois foi obrigado pela Justiça Eleitoral a assumir-se como órgão petista.

As redes sociais foram privilegiadas como estratégia eleitoral justamente porque nelas a expressão individualizada disfarça as estratégias coletivas, além de serem menos suscetíveis aos rigores da Justiça Eleitoral (não obstante calúnia, injúria e difamação constituírem crimes contra a honra, convém sempre lembrar).

Os ataques, incessantes desde o final do velório de Eduardo Campos, demoraram a surtir efeito nos índices de votação de Marina Silva, mas, segundo a última pesquisa Datafolha, por fim vingaram. E, assim sendo, o marketing petista, com a sem-cerimônia que o caracteriza, já anuncia que vai ampliá-los.

Não se trata de mera questão de preferência partidária, ainda que assumidamente esta esteja também em jogo. É pelo próprio bem da democracia que a Justiça Eleitoral deveria atuar de forma mais atenta contra os abusos, repetitivos e disseminados de forma impune por avatares, blogueiros “progressistas” e tuiteiros que, renunciando a qualquer consideração ética ou preocupação quanto ao futuro de sua imagem pública, se transformaram, no vale-tudo pela reeleição de Dilma, em verdadeiros jagunços virtuais.

A campanha de Marina Silva, por sua vez, deveria não só de denunciar com mais veemência a campanha que ora sofre, mas, já que os desmentidos que a toda a hora vê-se obrigada a publicar estão longe de obter o mesmo alcance do ataque difamatório petista, mobilizar seus próprios apoiadores para que - sem incorrer no baixo nível predominante - o denuncie e refute, restaurando o primado do dito sobre o não-dito, do fato sobre o boato, da verdade sobre a mentira.

Além disso seria proveitoso, para a elevação do nível do debate politico. que os cidadãos e cidadãs que condenam tais métodos, marinistas ou não, reajam, denunciem, refutem, não deixem o difamatório e falseador prevalecer, sobretudo ante eleitores que não têm capacidade ou preparo para discerni-lo do que é verdadeiro.

Estamos diante de um impasse que pode ser decisivo para o futuro da democracia e das eleições no país. Uma vitória petista conquistada a partir do uso de táticas de desqualificação, difamação e difusão de boatos inverídicos, sem que tenham sequer apresentado um Programa de Governo, representará um alvará para a baixaria, fazendo das próximas eleições um espetáculo de ataques, mistificações e engodo eleitoral digno da Republica Velha.
Chega de vale-tudo. Um governo ético começa na campanha.

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17 de setembro de 2014

O PT apavorado tenta implodir a vitória de Marina

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Apavorados diante da perspectiva de deixar o poder, petistas adotam a tática de atacar Marina Silva a qualquer custo. O resultado é uma campanha como nunca antes se viu neste país, cuja tônica é a baixaria, a distorção de palavras e fatos, a maledicência pesada e injuriosa, bem de acordo com o figurino ditado pelo PT e seu mentor Lula.
A decisão do PT de passar o trator em Marina Silva foi tomada no dia 1º de setembro em um jantar no hotel Unique, em São Paulo, logo depois do segundo debate entre os candidatos à Presidência, no SBT. Estavam à mesa a presidente e candidata do partido, Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, o marqueteiro João Santana, o ex-­ministro Franklin Martins, o ministro Aloizio Mercadante e o presidente do PT, Rui Falcão. Juntos, chegaram à constatação de que o fenômeno Marina era bem mais sustentável do que parecia a princípio. O terror pela ameaça de perderem o poder para a ex-senadora levou essa confraria delirante a decisão de desmoralizarem a candidata fenômeno, desconstruindo sua excelente imagem de política ficha limpíssima, que passou pelo PT e não se deixou contaminar pela canalhice mensaleira, pela corrupção galopante que marca e marcou os governos de Lula e Dilma.
Arrepiados de medo de perderem o poder, logo concluíram que se nada fosse feito para deter a popularidade de Marina Silva , logo ela estaria sentada na cadeira de presidente da República pelos próximos quatro anos, destruindo o plano de Lula de retornar à presidência, sucedendo Dilma nas eleições seguinte. “As pesquisas mostravam isso”, disse a VEJA um ministro do governo. “Não tínhamos alternativa a não ser partir para cima com tudo.” Ou seja, lançando mão de qualquer baixaria para derrubarem a ameaçadora rival.  Àquela altura, a candidata do PSB aparecia empatada com Dilma no primeiro turno e 10 pontos à frente no segundo. Lula resumiu o clima reinante e deu a ordem de marcha: “Precisamos reagir e reorganizar a tropa”. 
Como sempre nesses casos, com uma equipe azeitada, acostumada a trabalhar em conjunto há muitas campanhas e conhecedora dos limites éticos, ou da falta deles, não foi preciso ser muito explícito sobre o que precisava ser feito. O próprio diagnóstico do problema embutia sua solução. Marina tinha virado uma entidade sagrada, uma combinação de espírito da floresta com o espírito do capitalismo, metade Chico Mendes, metade Steve Jobs. Decidiu-se que o processo de destruição da candidatura Marina seria eufemisticamente chamado de “dessacralização”.
Logo a máquina de propaganda petista, comandada pelo veterano e medalhado publicitário João Santana, mostrou a que viera. Em menos de uma semana o resultado começou a aparecer no programa eleitoral de Dilma e nas inserções de televisão e rádio. Nunca se viu na história eleitoral deste país uma combinação tão violenta de mentiras, falsificações, manipulações, exageros e falsas acusações como a despejada pelo PT sobre Marina.
______________________
Autores: Daniel Pereira e Mariana Barros, com algumas alterações minhas.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas.


12 de setembro de 2014

O incessante e inútil bombardeio à Marina Silva

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A candidatura de Marina Silva demonstra, neste momento, um grande poder de resistência, após duas semanas de incessante bombardeio: de um lado, a mídia corporativa que apoia Aécio Neves, com manchetes diárias; de outro, o petismo, com um exército de ativistas empenhados em um vale-tudo cujo objetivo maior não é divulgar as próprias propostas, mas desqualificar, assassinando a reputação da ex-aliada.
Em termos eleitorais, o resultado de quinze dias de baixaria é, até agora, pífio: Marina mantém, nas pesquisas, os mesmos percentuais de voto e Dilma oscilou um misero pontinho acima, no que foi saudado pelo militontismo delirante como “recuperação” e “virada de jogo”. Voltemos ao mundo real: no segundo turno, os prognósticos continuam sendo de uma avassaladora vitória da candidata do PSB, por 10 pontos de vantagem.

Contra o feiticeiro

Os especialistas em eleição costumam afirmar que o eleitor brasileiro não gosta de ataques baixos, os quais tenderiam a lhe parecer antes fraqueza de quem ataca, gerando resultados nulos ou mesmo contraproducentes. Esta seria uma possível explicação para a ineficácia do pega-pra-capar contra Marina aplicado diuturnamente, sem descanso, pela grande mídia e pelos ativistas petistas, alegadamente tão antagônicos entre si, mas idênticos nos métodos baixos que os últimos outrora condenavam.
Outro modo de explicar tal fenômeno seria a de que o eleitor já se deu conta de que basta uma breve mirada histórica para constatar que os petistas, após 12 anos no poder, não têm moral para fazer as acusações que fazem a Marina. Por exemplo, como pode a candidata Dilma acusar sua adversária de ser “o novo Collor” se este, apesar de seu passado na Presidência e de todo o despudor com que manipulou eleitoralmente a filha de Lula contra o ex-presidente, é hoje um aliado preferencial do Planalto?

Amnésia seletiva

Como pode a campanha do PT tentar difamar Marina por esta defender um Banco Central independente, se nos oito anos do governo Lula tal independência foi rigorosamente obedecida, e por imposição internacional? (foi uma das exigências dos EUA para avalizar um empréstimo-ponte acordado por FHC e Lula em Washington, como forma de evitar que o petista recebesse, em janeiro de 2003, um país quebrado. A escolha do nome de Henrique Meirelles foi parte do acordo).
Como pode a campanha dilmista pretender acusar Marina de submissão ao poder religioso, se um dos traços distintivos do governo Dilma foi o extremo conservadorismo das políticas de gênero e comportamentais ditado justamente pelo acordo com a bancada evangélica, responsável por episódios lamentáveis como o veto ao “kit-gay”?
A campanha petista pensa que os eleitores são idiotas, que esqueceram que o PT permitiu ao “pastor” ultraconservador Marcos Feliciano presidir a comissão de Direitos Humanos da Câmara, numa demonstração acintosa do desprezo de Dilma Rousseff por tal tema? Ou que evaporou da memória do eleitorado a presença oficial da presidente Dilma na inauguração do templo faraônico da igreja do “bispo” e dono de império de comunicação Edir Macedo?

Dilma Duarte

Em mais uma prova de que história só se repete como farsa, o PT reedita, neste momento, a campanha do medo da qual foi alvo em 2002. Desta feita, com a própria Dilma encarnando a Regina Duarte da vez. Bradam que as conquistas sociais estão sob ameaça e que a politica econômica, sob Marina, será um retrocesso ao neoliberalismo.
Trata-se de uma dupla inverdade. Em primeiro lugar, porque Marina Silva, além de manter os programas de transferência de renda que começaram, foquistas, com FHC e se avolumaram consideravelmente com Lula e Dilma, vai restabelecer interlocução e assistência a setores da população que o próprio modelo “Brasil Grande” de desenvolvimento adotado por Dilma alijou e alienou. É o caso, notoriamente, dos indígenas e das populações nativas da Amazônia, dos setores da juventude e da classe média que não se identificam com o petismo e são sacrificados pelo modelo econômico adotado (que beneficia a base e o topo da pirâmide socioeconômica), bem como pelos manifestantes que tomaram as ruas do país a partir de junho de 2013 e que o petismo primeiro renegou, depois tentou cooptar, e por fim reprimiu brutalmente, aludindo a teorias conspiratórias e sem sequer entender do que se tratava.


Truques econômicos

Em segundo lugar, porque entre o programa da candidata do PSB relativo à economia e a política econômica dos 12 anos de petismo no poder não dá pra espetar um alfinete: são rigorosamente iguais. Não há uma só proposta relativa a tal área, no Programa de Governo do PSB, que Lula ou Dilma não tenham adotado em algum momento.
A crise econômica, cuja prova mais evidente é o fato de estarmos em recessão técnica e com PIB abaixo de um por cento, não é fruto de eventual heterodoxia, mas das barbeiragens da equipe econômica do governo Dilma, que no bojo de um modelo de desenvolvimento arcaico e predatório, insiste em um padrão esgotado de estímulo ao consumo e de concessão de isenção fiscal sem exigir contrapartida por parte dos setores beneficiados – notadamente, o automobilístico e o imobiliário. E, justamente por sua falta de coragem em confrontar o mercado e oferecer uma alternativa ao modelito neoliberal, prefere reafirmar a todo instante segui-lo, ainda que para tal faça uso de maquiagem de índices e de truques internos ora sob investigação do Ministério Público.


Tudo pelo poder

A atual campanha ilustra de forma explicita o messianismo, o fanatismo e o apego extremo ao poder que são hoje, características distintivas do petismo. A um processo de negação da crise econômica atual e dos diversos aspectos negativos que, em longos 12 anos de administração, não tiveram competência de mitigar, soma-se a tendência a se autoatribuírem a exclusividade na concessão de benefícios sociais e em governarem para a sociedade. O maior triunfo do petismo é multiplicar a fortuna das elites financeiras e agrárias e, ao mesmo tempo e mesmo assim, convencer a tantos que é uma força de esquerda.
Essa conversa mole pode funcionar entre fanáticos da seita, entre ativistas virtuais remunerados e blogueiros temerosos de perderem o patrocínio de estatais, mas não resiste ao exame rigoroso dos fatos. O PT é hoje um partido preso a alianças elásticas (e aos compromissos que elas trazem), a ponto de se descaracterizar como força da esquerda. Adotou uma ética tão flexível que nem o trauma do “Mensalão” foi capaz de provocar uma revisão das práticas e de sua axiologia de forma a resgatar os valores de suas primeiras décadas de existência, sacrificados em prol de um ultrapragmatismo em que o que interessa é o poder pelo poder, não importa a que preço.

Maniqueísmo

Os adversários, alvo de artilharia pesada, são caricaturalmente tipificados de acordo com um maniqueísmo tão irreal quanto pouco inteligente. A caracterização que ora fazem de Marina Silva parece saída de um conto de fadas ruim: maléfica, pérfida, arrogante, hesitante, fanática. Em pleno 2014, nem uma criança acreditaria em uma personagem tão desprovida de nuances ou qualidades.
Há de se perguntar como tal bruxa repugnante pôde fazer parte da história petista por tantas décadas e com tanto destaque, sendo uma internacionalmente reconhecida ministra do Meio Ambiente nos sete anos que serviu ao governo Lula e chegando a disputar com Dilma a preferência como sucessora deste. Que mudança terrível em tão pouco tempo teria afligido a criatura?!


Sem medo do debate

Desacostumados, na última década, do saudável exercício da autocrítica, substituído pela transferência automática de culpas à mídia (que covardemente se recusaram a regulamentar) ou a Joaquim Barbosa e aos ministros do STF que condenaram os réus do “Mensalão” (em sua maioria, por Lula e Dilma nomeados), os petistas passaram a se assemelhar, cada vez mais, a uma seita, baseada em dogmas e fanatismo, mas não na leitura criteriosa do fatos e na prática ética da politica, pois nesta propostas, diálogo e respeito aos demais candidatos e eleitores se sobrepõem aos ataques desqualificadores.
Enquanto a baixaria petista corre solta, num desserviço às práticas políticas no país e às eleições, Marina Silva segue fazendo uma campanha sóbria, baseada em programas, sem ataques desqualificadores e comparecendo às entrevistas e debates, de modo a debater suas propostas. Pode-se ou não identificar-se com elas e na candidata votar - isso é uma decisão que pertence a alçada individual -, mas há de se reconhecer que se Dilma e o PT fizessem o mesmo, ao invés de só lançarem pedras, teríamos um confronto de ideias e de programas digno de uma democracia. Não é o caso.

Autor desconhecido.