6 de dezembro de 2012

VAIDADE: ESPELHO, ESPELHO MEU...

O tema vaidade é, nos dias atuais, um campo aberto para uma infinitude de abordagens de interesse para homens, mulheres, para pais de adolescentes e até para idosos, pois já não diz respeito apenas aos cuidados com a pele, cabelos e músculos. Não, ela faz parte das preocupações de médicos por ter se tornado um problema que se estende à área da saúde, quando assume o estatudo de doença e uma ameaça à vida das pessoas dominadas pela obsessão de atingir um padrão de beleza que cultua a magreza extrema, ou, ainda, quando o recurso às cirurgias, lipos e implantes provocam acidentes ou morte.
O artigo, que se segue, é bem esclarecedor, por ser  escrito por uma profissional da área da psicologia, a psicóloga clínica Grace Wanderley de Barros Coelho.




"A vaidade é considerada como um dos sete pecados capitais. A vaidade tem relação com a soberba e a luxúria. Tornar-se belo para o outro. Tornar-se objeto de desejo. Embora isto possa ter algo de verdade, acredito que em nível profundo há um desejo de chamar atenção para si, como forma de ser amado.

A necessidade maior é a de amor, ainda que por caminhos ilusórios e superficiais. As pessoas muito vaidosas preocupam-se com a aparência e investem energia na manutenção de uma imagem de beleza e jovialidade. O cuidado com o corpo, o gosto pelo belo é legítimo, desde que dentro de um limite que não ultrapasse os princípios da saúde.

Pode-se, também, questionar o verdadeiro sentido do belo. A beleza tem uma ligação direta com o ser, o interior, a alma. A jovialidade é mantida por uma mente flexível, aberta, um jeito de ser leve e alegre. A sociedade ocidental estimula o orgulho, a luxúria, a vaidade, um comportamento individualista e egóico, em detrimento dos verdadeiros valores humanos.

O corpo é tratado apenas na sua função biológica. Luta-se contra o envelhecer e não se reconhece a sabedoria do tempo. Pena que as pessoas, inclusive os jovens, se deixem levar pela ilusão narcísica de uma medicina aparentemente embelezadora, muitas vezes à custa da própria vida.

Grace Wanderley de Barros Correia - Psicóloga Clínica.

                                                 

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