10 de julho de 2010

Na contramão da ditadura da magreza!



Cinco das modelos "plus size" brasileiras mais requisitadas do mercado posaram juntas para um projeto para lá de sensual. O ensaio, batizado de "Top 5", reúne Andrea Boschim, Bianca Raya, Celina Lulai, Mayara Russi e Simone Fiúza em fotos com pouca roupa, biquíni ou modelitos decotados. A idéia do projeto, segundo a assessoria, é valorizar a mulher como ela é, na contramão da ditadura da magreza que impera no mundo fashion.

 “Temos a missão de levar uma imagem de aceitação, mulheres que fogem dos padrões impostos pela sociedade e pela mídia, a imagem de autoaceitação. Podemos ser lindas e sensuais mesmo acima do peso. E o mais importante é temos saúde!”, diz Simone Fiúza idealizadora do projeto.

Andrea Boschim - que além de modelo é uma das organizadoras do Fashion Weekend Plus Size (FWPS), primeiro evento de moda realizado no país exclusivamente para o público plus size, que acontece nos dias 23 e 24 de julho, em São Paulo - faz coro com Fuúza e garante que "a sensualidade ultrapassa o manequim 38".

 Num mundo em que os padrões de beleza ainda se resumem a mulheres macérrimas -vide as tops da SPFW -, Fluvia Lacerda é exceção. A modelo, que ficou conhecida no meio da moda como Gisele Bündchen tamanho GG, mede 1,73m e veste 48. “Não me peso. Acho que é só um número, sabe? As pessoas vivem aprisionadas a isso. Minha única preocupação é com a saúde”, conta ela, que faz parte do casting ”plus size" da agência Ford, que criou um departamento para as modelos mais "cheinhas", o Ford +. 
Fluvia trabalha como modelo há sete anos, e lamenta o fato de que no Brasil não há mercado para ela. “O país ainda está atrasado no assunto. A demanda é inquestionável, mas há preconceito”. Com os cachês que já ganhou em campanhas e editoriais de moda, ela comprou um apartamento em Nova York, onde mora com o marido e a filha de nove anos, uma casa no México – “para as férias” - e uma na Austrália, país de seu parceiro. “A diferença do meu trabalho para o das modelos magras é que represento uma parte da população que até então estava oprimida, que era obrigada a trocar a sua felicidade por receitas fajutas de dietas malucas, medicamentos, cirurgias, entre outras coisas absurdas”, diz a modelo, fã de comidas brasileira, árabe e grega. “Nunca fiz uma dieta na vida. Não consigo me imaginar escrava dessas coisas”.

 Fluvia diz que nunca se pesa. Acho que é só mais um número, sabe? As pessoas vivem aprisionadas a ele, e também ao número da roupa. Isso não representa nada em minha vida. Faço check-ups anuais com o mesmo médico desde o nascimento da minha filha, que hoje está com nove anos. Minha única preocupação é com a saúde. E como meus exames sempre estão limpos, para que me escravizar com a balança? É mito associarem gordinhos a doenças. Sou saudável, pratico atividade física regularmente, tenho alimentação saudável, não como porcarias. Acredito que mais do que cuidar do peso, as pessoas deveriam aprender a cuidar da saúde. 
  
É engraçado quando me perguntam se fiz dietas malucas antres de virar modelo “plus size”, porque as pessoas não acreditam que nunca fiz uma dieta na vida. Não consigo me imaginar escrava dessas coisas, sabe? Contar os grãozinhos de arroz, viver de suco de melancia ou outras loucuras que as pessoas fazem. Sempre vai surgir uma dieta maluca aí para as pessoas seguirem, mas acho que está na hora das pessoas aprenderem a se amar como são e deixar de lado os comentários alheios. Não perca tempo com paranoias, vá se divertir com os amigos, coloque um biquíni e vá curtir o solzinho gostoso da praia. Ser feliz é o que importa nessa vida.

Tenho muita restrição a comida processada. Não como enlatados, empacotados, fast food, frituras, refrigerantes. Para mim, alimentação tem que estar mais próxima de sua forma original possível. Tenho a minha própria horta, e plantar já virou uma diversão em família. Venho estudando muito sobre agricultura holística, acho interessante aprender o quão distante hoje vivemos da realidade de uma alimentação natural. Como tudo que gosto, mas o que gosto não está entupido de aditivos químicos que podem danificar minha saúde. E volto a repetir: a prioridade é minha saúde. Portanto, minhas escolhas alimentares sempre são as melhores possíveis. 

 Devido ao número massivo de emails que recebo diariamente, acredito que as mulheres querem se libertar da escravidão emocional que é essa busca eterna a ideais de beleza que não refletem a maioria da nossa população. Acho que através do meu trabalho consigo expor o outro lado da moeda. A diferença do meu trabalho para o das modelos magras é que estou representando uma parte da população que até então estava oprimida, que era obrigada a trocar a sua felicidade por receitas fajutas de dietas malucas, medicamentos, cirurgias, entre outras coisas absurdas. 

Pratico atividades físicas diariamente com uma personal trainner.Também faço ioga e, recentemente, comecei a natação. Aqui em Nova York, bicicleta é o meu meio de transporte.Além de fugir do trânsito, consigo apreciar a paisagem e ainda estar em constante atividade. Quando não estou trabalhando, dou uma folga para a pele e para o cabelo, e fico sem nada. Mas não saio de casa sem bloqueador solar, bebo muita água e uso muito hidratante, principalmente durante o inverno rigoroso de Nova York. 

Ainda há resistência no Brasil em relação às modelos gordinhas. Acredito que isso aconteça por dois motivos. Primeiro, o preconceito. As pessoas ainda vivem aprisionadas à ditadura da magreza e ao culto aos corpos perfeitos, mesmo tendo que se submeter a loucuras para se chegar a isso. O segundo é a falta de visão de negócios de todos os setores dentro do mundo da moda brasileira. A consumidora existe, a demanda é inquestionável, porém, as pessoas preferem perder dinheiro e oportunidades de crescimento por preconceito.

FONTE: EGO

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