17 de abril de 2016

Cirurgia Plástica X Cicatrizes


Para especialista em Cirurgia Plástica, o que os cirurgiões buscam é minimizar os efeitos das cicatrizes, buscando colocá-las em locais pouco visíveis ou então coincidindo com as chamadas “linhas de forças naturais”, que são as marcas já existentes no corpo, ou nos lugares que ficarão cobertos por biquínis e/ou sungas ou por pêlos e cabelos.
Fazer uma cirurgia plástica e corrigir aquele “defeitinho” que tanto incomoda é um desejo da maioria das pessoas, principalmente as mais vaidosas. Entretanto, o que muitos não sabem é que, a cirurgia plástica não realiza milagres, e esquecem que todas as cirurgias plásticas deixam como “brinde”, uma cicatriz.
Isso acontece porque a cicatriz é gerada pelo corte feito na pele, e independente do tipo de sutura utilizada para juntar novamente a pele, o resultado final será, irremediavelmente, uma cicatriz.
Mesmo com as mais modernas técnicas de sutura e até mesmo o uso das chamadas “colas biológicas” não tem como escapar desse fato.
Segundo a Dra Deusa Pires Rodrigues, especialista em Cirurgia Plástica e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o que os cirurgiões buscam é minimizar os efeitos das cicatrizes, buscando coloca-las em locais pouco visíveis ou então coincidindo com as chamadas “linhas de forças naturais”, que são as marcas já existentes no corpo, ou nos lugares que ficarão cobertos por biquínis e/ou sungas ou por pêlos e cabelos.
No quesito cicatrizes existem algumas modalidades cirúrgicas que aparentemente não deixam nenhuma marca, tais como as cirurgias de nariz e queixo, porque nestes casos as cicatrizes ficam por dentro do nariz e da boca.
Existem ainda áreas favoráveis a uma cicatrização mínima, como por exemplo, em algumas regiões do rosto, preferencialmente as pálpebras.
Além da cicatrização mínima, esse procedimento é favorecido pela presença do sulco natural dos olhos, que é exatamente onde se “esconde” a suave cicatriz.
Outro exemplo de cicatriz ocultada por sulcos naturais é a cirurgia de orelha, onde a incisão é feita bem na fenda natural, dando a impressão que não existe nenhuma cicatriz por ali.
A colocação de próteses nas nádegas também segue essa regra: a incisão é feita na prega interglútea.
Já outras regiões são favoráveis por causa da diferença de cor, como no caso das mamas. Então as cicatrizes ficam exatamente na transição da aréola (parte mais escura do peito) com a pele mais clarinha, e dessa forma ficam imperceptíveis.
Alguns procedimentos, no entanto, são particularmente, favoráveis no quesito cicatriz.
A lipoaspiração lidera o ranking, até porque suas incisões têm apenas 4 mm e podem ser localizadas em áreas normalmente cobertas (marca do biquíni).
Entretanto, é sempre bom lembrar que a lipoaspiração não é método de emagrecimento, e em alguns casos não resolve o problema de excesso de gordura na barriga, sendo necessário primeiramente perder peso e posteriormente a realização de outro tipo de cirurgia para remoção das sobras de pele.
As cirurgias que deixam as incisões mais evidentes são a mamoplastia (redução ou elevação das mamas), cicatriz em forma de T invertido, e a abdominoplastia (remoção de pele e gorduras abdominais), que geralmente deixa uma incisão que vai de um lado ao outro na região do quadril.
Nesses casos o médico deve deixar bem claro aos pacientes quanto ao resultado final para que se avalie a relação custo/benefício desse procedimento.
“É fundamental analisar bem se o problema que a leva a submeter-se a cirurgia, incomoda mil vezes mais que a possibilidade de uma cicatriz mesmo que visível”, comenta a Dra. Deusa.

Onde se localizam as cicatrizes nos locais cirúrgicos:

Olhos - sulco palpebral e rente aos cílios inferiores;
Orelhas – sulco atrás das orelhas;
Nariz - dentro das narinas;
Queixo – dentro da boca, na gengiva;
Eliminação de rugas – pregas pré e pós-operatória e rente a raiz do cabelo;
Braços – em T na prega axilar estendendo-se até cotovelo;
Diminuição de mamas – em T invertido ou vertical;
Prótese de seio – axila, sulco mamário, circo inferior (semicírculo) da aréola;
Próteses de bumbum – prega interglútea;
Outros tipos de próteses – pregas naturais;
Cirurgia pós-obesidade – abdominoplastia: incisões de até 30 cm; dermolipectomia de coxas: de até 20 – 25 cm.
Quando se fala em cicatrizes temos que considerar também as características pessoas e raciais.
Indivíduos da raça negra e amarela geralmente têm maior tendência a desenvolver quelóides que são cicatrizes exageradas, exuberantes.
Outro fator importante é com relação à idade, porque hoje a cirurgia plástica é procurada desde crianças e adolescentes à pessoas de até 60 anos.
Quanto mais jovem o individuo, mais visível a cicatriz devido a maior capacidade de deposição de tecidos cicatriciais. À medida que envelhecemos, o adelgaçamento da pele promove cicatrizes mais discretas e imperceptíveis daí o sucesso das liftings de rosto.
Em quaisquer casos o cirurgião deve sempre explicar aos pacientes os processos da evolução da cicatriz em relação a sua aparência.
Toda cicatriz fica vermelha até 7 ou 8 meses após a cirurgia. A partir daí ela vai clareando até 1 ano ou 1 ano e meio. No fim desse prazo, se o paciente cicatrizar perfeitamente bem, a cicatriz estará sob a forma de um fio branco.
Mas desaparecer completamente, isso nunca vai acontecer.

Em seu resultado final, as cicatrizes podem se mostrar:
a) Como um fio de 1 mm branco ou castanho claro, no caso das pessoas da raça negra esse aspecto é o melhor possível.
b) Como uma fita branca: a cicatriz é normal, porém alargou devido ao grau de tensão entre as bordas da incisão ou devido a fraqueza da ancoragem realizada pelos pontos subdérmicos.
c) Cicatriz elevada e escura (arroxeada): é denominada cicatriz hipertrófica já é uma cicatriz anormal, mas não é quelóide; parece um cordão endurecido e escuro.
d) Quelóide: cicatriz elevada, endurecida, escura, às vezes dolorosa e pode coçar. Em geral ultrapassa os limites da incisão em todos as direções (para cima, para os lados, para as extremidades).
A cicatriz queloideana é considerada patológica e merece tratamento à base de compreensão, uso de corticóides (pomadas, fitas adesivas, injeção) e até Betaterapia (radiação superficial que penetra a pele só 4 mm no máximo).
Porém, mesmo com os tratamentos, a quelóide pode voltar com uma porcentagem grande.
“Em pacientes potencialmente problemáticos (negros, orientais e indivíduos que já apresentam cicatrizes patológicas), evitamos deixar as bordas das incisões sob tensão e algumas vezes já indicamos Betaterapia a partir do dia seguinte à cirurgia. Podemos ainda prescrever pomadas a base de corticóide, antes da cicatriz engrossar”, comenta a especialista.

DRA DEUSA PIRES RODRIGUES – Especialista em cirurgia Plástica
Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Crédito:Luiz Affonso
Autor:Dra Deusa Pires Rodrigues
Fonte:Universo da Mulher

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