19 de setembro de 2011

O tempo das Amélias já passou




O assunto do post pode parecer doutrinação de feminista, mas não é. O que viso com ele é apenas refletir com quem o ler sobre o papel do homem da divisão das tarefas domésticas, já que a mulher também trabalha fora e partilha com ele no sustento da família. Aquele modelo de mulher que ficava cuidando dos afazeres domésticos e dos filhos está bem ultrapassada: Hoje as mulheres representam 40% do mercado de trabalho.
Ora, então, se assim como os homens, elas também ajudam no sustento da família e não deixaram de ser responsáveis pelos serviços referentes ao lar, isto significa um injusto acúmulo de tarefas. Assim, não apenas é justo como é imprescindível que a colaboração do marido em casa, considerando que ter empregada doméstica é um privilégio que nem todas as famílias têm condições financeiras de custear.
Sem a ajuda do marido, muitas mulheres são sobrecarregadas: elas cozinham, lavam, passam, educam os filhos e acreditam que isso não é nada mais que a obrigação. A mulher multiplicou-se, passou a diversificar suas tarefas, enfim, tornou se, de fato, um ser plural que consegue separar as atividades que desenvolve e exercer várias tarefas domésticas. O resultado de tal polivalência é irrecorrivelmente o stress, são as doenças cardíacas e outros males decorrentes do cansaço.
Até a década de 50, ainda se entende que as mulheres fizessem tudo sozinhas, pois poucas trabalhavam fora e eram educadas para as prendas domésticas, para serem donas de casa e mães exemplares. Este era o seu lugar marcado no meio familiar, este era o seu papel na família, era isto que a sociedade esperava delas. Mas isso não faz mais nenhum sentido, desde que as mulheres passaram a trabalhar para ajudar a complementar as despesas do lar. Se a vida das mulheres mudou completamente neste sentido, se ela passou a dividir responsabilidades financeiras com o marido, por que então terá que continuar a ser a única a ter a obrigação executar todas as tarefas domésticas?
A obrigação com a lida doméstica e com os cuidados com os filhos é dos dois. É claro que não é fácil persuadir os homens a partilharem nas tarefas domésticas, pois acreditam que é dever das mulheres cuidar de tudo, inclusive mantendo-se bonita e disposta a recebê-lo à noite lépida e fagueira, cheia de tesão. Evidentemente, esse quadro tem mudado, conforme atestam as pesquisas do IBGE, segundo as quais, atualmente mais de 50% dos homens, além de trabalharem fora, também colaboram nas atividades domésticas. É uma grande mudança, mas os 40% que ficam indiferentes à divisão de tarefas faz grande diferença.
Para conquistar essa tão desejada igualdade em casa, o diálogo é o melhor caminho. Uma vez acertada a divisão de tarefas, é preciso paciência e compreensão, nunca criticar os desacertos do marido na cozinha ou em outras atividades, nas quais ele é um aprendiz. Ensine, façam juntos para que ele aprenda, divirta-se com ele enquanto treinam juntos uma tarefa que poderá vir a ser prazerosa para ele e um alívio para a sobrecarga de antes. Homens que, em solteiros, moraram sozinhos, tem muita mais disposição e habilidade no trato doméstico. Levar o marido a uma situação de igualdade no lar não é atitude de feminista, mas sim de mulher moderna, numa sociedade moderna que nada tem mais a ver com a sociedade do tempo das nossas mães.

Autora: Jussara Haddad
Postado por Eva.

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