4 de abril de 2011

Uma "celebridade instantânea" chamada Nathalie Lamour...


Há tempos venho planejando escrever um comentário sobre a personagem de Déborah Secco – Nathalie Lamour – na novela da Globo, Insensato Coração.
A personagem é uma ex participante de um reality show que, embora tenha outro nome na ficção novelística, se constrói como uma metáfora de algumas ex-participantes do Big Brother Brasil, justamente aquelas que, como Nathalie Lamour, se desesperam e fazem de tudo para recuperar os fugazes momentos da fama instantânea que tiveram ao terminar o programa.

A caricatura é perfeita, especialmente pela interpretação de Déborah que, como fã incondicional do BBB, conhece todas as manhas e artimanhas das ex-participantes deslumbradas com os holofotes midiáticos que ficam à beira de um ataque de nervos, quando percebem que estão caindo no esquecimento, especialmente com a chegada no mercado de novas "famosas instantâneas", de outras mulheres lindas e celebradas por seus fãs clubes.

O estilo de Nathalie é de parar o trânsito – afinal, o que ela mais quer é chamar a atenção. A personagem, ex-participante de um reality show, adora peças curtas e justas que deixam o corpo bem à mostra. O seu estilo ousado e vulgar de se vestir parece ter sido inspirado no figurino preferido por Priscila Pires, Maroca e outras que primam pelo estilo brega. Tudo nela é micro: shorts, saias, vestidos... Apenas os decotes são maxi. Ela quer ser chique, mas precisa mostrar o corpo, que é sua maior arma, seu cartão de visitas.

Celebridade instantânea, deslumbradíssima, Nathalie adora moda e peças de griffe, mas sem condições de caprichar nas compras, conta com a ajuda do amigo Roni (Leonardo Miggiorin) para conseguir se produzir, fazendo adaptações das tendências. Ela se inspira em ícones internacionais – por exemplo: Kate Moss -, da qual ela pega as referências e faz uma salada seguindo o seu mau gosto. O resultado é aquele toque brega e vulgaríssimo que detona o refinamento do modelo copiado. Ela usa muito brilho, paetês, ouro, prata, correntes, tachas, vestidos bandage, bolsa com franjas, sandálias altíssimas, tudo que puder chamar a atenção.

Em sua luta incansável para agarrar um homem rico, a patética figura, que se acha bela e irresistível, inclusive por se considerar uma celebridade, tenta conquistar vários solteiros famosos e ricos, envolve-se, mas vai com muita sede aos potes, sendo descartada e tratada como uma piranha. As decepções e humilhações se sucedem, até encontrar um conquistador casado que fica doido de tesão por ela, mas é recusado, quando revela que é casado. Não se dando por vencido, o cafajeste engana-a dizendo ter se separado da mulher e estar residindo em um hotel. Ela caiu na armadilha, ficou com ele, apaixonou-se, acredita que vai se casar e tece sonhos e projetos de felicidade mirabolantes. Mal desconfia que ele já se cansou do brinquedinho sexual e está prestes a abandoná-la. Quem quiser saber como será o fim desta história, acompanhe a novela...

A importância da personagem é o fato de ser uma metáfora critica das mulheres que participam do Big Brother Brasil, mas não encaram o programa como um mero jogo, uma competição para a conquista de um prêmio milionário. Não enfiam nas cabeças ocas que BBB não é um passaporte para a televisão, para a carreira de modelo nem é emprego vitalício. A fama que todos gozam ao saírem da casa é instantânea e, por isso mesmo, é passageira, como são passageiras as oportunidades de ganharem dinheiro em trabalhos de publicidade, em eventos de moda, posando para revistas e comparecendo em festas que costumam convidá-los, enquanto estão iluminados pelos holofotes da mídia.

Se observassem bem, perceberiam que a cada edição do programa, mais cedo os ex-bbs estão caindo no esquecimento, apesar dos malabarismos que fazem para serem lembrados, para sentirem a luz dos holofotes sobre suas vaidades e ilusões de glória eterna. Mesmo os campeões são pouco lembrados. Não fosse uma mãozinha que Boninho dá a alguns deles na época do BBB, como colaboradores em chamadas e outros bicos de relativa importância. Mesmo Alemão pouco aparece. Nesse ano tentaram ressuscitar alguns em programas de entrevistas de pouco interesse. Eu mesma não fiz questão de ligar a tv para vê-los e ouvir as abobrinhas que decerto disseram. Programas como A Eliminação não me interessou ver. Dos que estiveram no Faustão, só vi os que foram nesse domingo.

Os participantes do BBB11 vão ter uma fama instantânea curtíssima. Talvez O EGO, por ser especializado em temas de televisão e famosos, ainda vai dar notícias de alguns deles por algum tempo. Graças a esta abençoada tendência, nunca mais soube dos ex-bbs que fizeram as edições antigas, tampouco os que encheram a minha paciência nos BBB9 e 10. Os que ainda aparecem são mulheres, as Nathalie Lamour que surgem em todas as edições.


Postar um comentário