16 de setembro de 2012

Cláudia Ohana, a grande estrela da Dança dos Artistas

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 Pouco me importa a discutível vitória do atorzinho novato da Globo na finalíssima da Dança dos Artistas sobre a verdadeira estrela do programa: Cláudia Ohana, porque não me convenceu a pontuação que a produção deu dos votos do público e do auditório. É muito fácil manipular esses dois grupos de votantes, especialmente por uma emissora que não adora auditoria e é habilíssima no quesito manipulação a favor de quem eles desejam ver como vencedor. A Dança dos Artistas reza pela mesma cartilha do Big Brother Brasil. Tratam o público votante e os participantes com desrespeito e injustiça.
Adulterar os votos do júri técnico é mais difícil, porque é dado ao vivo,  os votos do júri artístico é aquilo que sempre foi: nota 10 para todos, muita bajulação e justificativas repetitivas, pedantes, piegas e vazias. Mas os votos pela internet e pelo telefone, bem como os votos do auditório são um campo aberto para a enganação.
Quem acompanhou a trajetória de Claudia na competição conhece a superioridade se sua performance sobre a do casalzinho rival, especialmente hoje. Cláudia brilhou, foi maravilhosa em todos os quesitos do Tango e do Samba de Gafieira. Com notas mais altas e elogios escancarados dos dois júris, espantosamente não conseguiu ultrapassar a diferença de 1 ponto que tinha na soma dos seus votos acumulados. Ela com 37.1 e o casalzinho apadrinhado com 37,0 pontos.
E onde foi a marcante diferença? Nos votos do auditório e do público que apareceram com resultados mais baixos. No final, foi tudo muito aligeirado e lá se foi para o espaço a vitória que parecia ser de Cláudia.
Tal decepção, após de ter suportado, com o estômago revirado, o festival de grossura, indelicadezas, perguntas idiotas e repetitivas do apresentador sem noção do quanto é ridículo e chatérrimo, é revoltante.  Não bastasse sua vocação para a palhaçada sem graça, o insosso Faustão ainda dá-se ao desplante de interromper estupidamente o discurso dos jurados, pessoas dignas de toda a consideração, para pronunciar um amontoado de asneiras, muitas delas humilhantes para os câmeras que são sujeitos às suas inconveniências e insinuações de duplo sentido!
Abomino o Programa de Faustão. Só vejo a Dança dos Artistas. Punto e basta. 
Com exceção do programa do Gugu (uma reles imitação do que faz Luciano Hulk, no Caldeirão, e da Escolinha do Professor Raimundo (do saudoso Chico Anísio), no Domingo prefiro ver o que mostram na Record. Da Globo, só gosto das novelas e dos programa de Fátima Bernardes, Angélica e o Caldeirão do simpático e espontâneo Luciano. O resto é resto, são parte de uma programação que é um verdadeiro "espanta Jesus" de tão ruim, pobre em criatividade ou caduca.  Quem ainda agüenta ver Xuxa falando como uma criancinha, vestindo-se e comportando-se como uma adolescente, com a idade que tem: quase 50 anos?  E a aposentável Ana Maria Braga (Deus me acuda!) com aquele papagaio babaca, já encheu! Isto sem falar no programeto de Bial - Na Moral - já encerrado, em boa hora...  E por aí vai... O Jornalista vai se dedicar à curtição da preparação do cabarelesco Big Brother Brasil, deliciando-se, antecipadamente, com a perspectiva de muita babação com a Piranhetes que serão selecionadas para o pornô reality da emissora...  Fazer o quê?  O homem tem o direito de fingir que é um rapazinho formoso e empolgado com os mulherões do programa, apreciáveis através dos espelhos falantes da casa... Hehehehehe...



10 de setembro de 2012

O Amor é brega

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O amor é lindo. É. Mas é brega. Se não é brega é porque é pouco. O que aconteceu com aqueles digníssimos amores do século passado? O Vermelho e o Negro do Stendhal - aquilo sim era um amor chique, estóico, imenso porém distinto. Agora não, qualquer coisinha a gente já revela pro mundo e sem pudores vai comparando com o pôr do sol, a pureza da criança, o infinito dilacerante... Se as coisas vão mal e você é pessoa pública, sai correndo em direção a uma capa de revista pra ficar deprimidinho ali. Ali é o lugar certo pra lágrimas, arrependimentos e aquela troca de insultos de fazer corar uma estátua.
Tudo meio baixo. Tudo muito brega. Eu mesma às voltas com certa nostalgia amorosa, andei há tempos, escrevendo uns poemas... Um deles resolvi mandar pro Rei, ele mesmo o Robertão. Achei que o Rei ia entender a dimensão, digamos, do meu momento e não iria julgar mal aquele derramar de emoções - um tanto eróticas, devo admitir. Como se não bastasse o atrevimento, achava que o "meu momento" podia virar música na voz do Rei. O coração balançado estava me afetando a cabeça e eu não percebia.
Não sei se o negocio chegou a ele, só sei que encontrei-o depois, casualmente - como sempre foi muito simpático - mas quanto a "meu momento", nada. Fiquei na minha. Resolvi então mandar pro Zezé di Camargo, meu sertanejo predileto junto com Chitão e Xororó. Havia apresentado há tempos um show do Zezé e Luciano e ficara (será o tempo de verbo ou o contexto inteiro que está a mais?) impressionadíssima com aquelas milhares de mulheres se rasgando, numa espécie de êxtase espírito-sexual diante dos dois rapazes que cantavam muito afinados suas romanticíssimas composições.
Não sei porque eu teimava em não ficar, como seria de meu feitio, quieta com minhas mazelas, mas me deu uma vontade assim meio baixa, porém irresistível, de ver meus derramares escancarados numa canção molenga pelo Brasil afora. Deve ser efeito desses tempos meio bregas, tal indiscrição erótico-amorosa. Mas deixemos a análise psico-social para situações de maior densidade. O negócio é o seguinte... Bem agora vai gente. O poema. É erótico-brega-amoroso, já avisei. Depois eu não vou falar mais nada hein, vou acabar com isso. Bom, então vamos... é o seguinte:

Amor de Cama

Quando você faz amor comigo, meu corpo todo,
cada poro, cada pelo, cada órgão lá de dentro,
sorve aquilo de tal jeito, que não sei como é que o peito,
o coração ali desfeito, tudo enche estufa cresce
e se esvazia ao mesmo tempo.
Num instante vou morrer. No outro me acho, plena, de você.
E agora que você não está, passo a língua pela boca
passo a língua pela língua,
inspiro o ar da sua garganta pra dentro do meu pulmão.
Com você entre minhas pernas,
busco resquícios do amor que você me fez.
Não acho. E sinto
E sinto a falta que você me faz.
MAITÊ  PROENÇA