26 de janeiro de 2011

Paradoxos e preconceitos.

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A grande polêmica em torno de Ariadna resultou do fato dela não ter revelado, de imediato, que é uma transex. Com isto, estaria enganado os homens da casa e fazendo a todos de otário, na medida em que flertava com um e com o outro. Pois é, apenas flertava, tipo de paquerinha que não inclui contatos físicos e que, como mulher , ungida e sacramentada pelo juiz que julgou seu pedido de mudança de identidade como pertencente ao sexo feminino, tinha todo o direito de assumir sua personalidade e impulsos femininos. Não deu noutra: Ariadna foi eliminada pelo povo por puro preconceito. 

Paradoxalmente, a casa também admitiu uma atriz de filmes pornô, sem que tal profissão fosse questionada ou que lhe fosse exigido que fosse revelada aos demais confinados. A garota guardou e ainda guarda seu segredo, deu início a uma relação amorosa com um dos rapazes da casa, bancou a menina recatada e pura, dormia com o cara (sem calcinhas) e ficava aos beijos e bolinagens sob os cobertores. Só não aceitava chegar aos finalmentes. Agora vem a pergunta que não quer calar: será que a atriz de filme pornô não fez o “ficante” de otário? Especialmente, ao reprimir os avanços dele, em nome de uma falsa moral, envolvendo-o numa relação que fará dele o alvo das piadinhas dos preconceituosos fora da casa? 

Na revista "Contigo", que chega às bancas nesta quarta-feira, 26, a ex-BBB Ariadna afirmou que mesmo antes da cirurgia de mudança de sexo já se sentia uma mulher: ''Eu nunca me senti homem. Nasci, vivi e vou morrer mulher''. 

Aos 26 anos, a ex-BBB confessou que o sonho de ser mulher veio desde criança e que sua família nunca teve dúvidas quando à sua sexualidade. ''Sou mulher e heterossexual. Nunca beijei uma menina na boca", disse à revista. Ariadna contou ainda que teve sua primeira relação sexual aos 16 anos e passou a tomar hormônios na mesma época. ''Falei com psicólogos, psiquiatras, médicos e todos atestaram que eu era mulher em corpo de homem. Tinha algo no meu corpo que não fazia parte de mim, da minha essência feminina'', explicou. 

As declarações de Ariadna para a reportagem da revista Contigo realça ainda mais a injustiça que sofreu com a sua eliminação na primeira semana do BBB11, com o seu julgamento severo e preconceituoso, com a intolerância e desprezo que revestiam as referências pejorativas feitas a ela. Foi garota de programa? Foi e revelou esta parte da sua intimidade, tão difícil de ser dita em rede nacional, a pessoas que mal conhecia, arriscando-se a ser maltratada, rejeitada e condenada. E quem a mandou para o paredão? Um homem, claro! Um homem que, decerto, já ouvira antes de entrar na casa, que uma transex fora selecionada para o programa. Daí a identificar em Ariadna a tal pessoa, foi muito fácil, como fora para Lucival. 

Não consigo sentir rejeição pelos transexuais, tenho compaixão para o drama existencial destas criaturas, nascidas em um corpo de homem (ou de mulher) que não corresponde ao gênero com o qual se identificam. Deve ser muito doloroso uma pessoa se sentir mulher e ter que conviver com um órgão masculino (que rejeita), com desejos e sonhos femininos. 

O mais incompreensível para mim é a atitude do Titio Boninho insistindo em trazer para a casa do BBB11 outra transex, estrangeira, apesar da desastrosa experiência com Ariadna. Só posso interpretar tal atitude como um desvairado desejo de sensacionalismo e de desafiar os preconceituosos. Vejam a novidade que surrupiei do blog Sociedade Brasilis, no qual quem desejar mais informações, poderá ver o vídeo. 

“Vários sites especulam sobre a possibilidade de Alexandro, o transexual da versão portenha, entrar no Big Brother Brasil, em intercâmbio semelhante ao que houve no BBB7, onde o argentino Pablo visitou a Casa brasileira e Iris foi ao Gran Hermano. Alexandro queria ganhar o prêmio para colocar aquilo que Ariadna retirou, pois, segundo ele, nasceu homem num corpo de mulher. A conferir”.

Vamos ver no que vai dar tanto malabarismo para salvar a pior edição do BBB.


18 de janeiro de 2011

Abaixo o preconceito contra Ariadna!

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O problema gerado contra Ariadna deriva da divulgação antecipada da presença de uma transex na casa, antes mesmo de serem comunicado aos participantes que haviam sido escolhidos. O senhor todo poderoso jogou nas costas da moça uma pesada carga com imensa potencialidade para suscitar polêmica. E foi o que aconteceu e o que a está prejudicando dentro e fora da casa.

O diabólico preconceito é tão cego e perverso ao ponto de não ensejar que ela é a mais engraçada, a que tem mais repentes espirituosos, a que sempre tem uma palavra boa e incentivadora para quem está com algum problema, sempre muito espontânea, companheira, carinhosa e extremamente carente, com uma carga pesada de sofrimentos e de tristeza que se refletem em seu olhar e sorriso tristes.

Ela é muito mais importante para o dinamismo do jogo que os outros emparedados. Mas há um senão que anula todos e quaisquer predicados que possa ter Ariadna: ela é transex e garota de programa. Vixemaria! Que coisa terrrrííííííível !... não é mesmo, gente pudica, devota e pura do meu país democraticamente decentíssimo, contrário ao preconceito e apoiantefervoroso das diferenças!

Paradoxalmente, somos tão hipócritas que recebemos com grande curiosidade e satisfação a notícia de que uma transex seria participante do BBB11. Decerto, imaginavam que seria uma espécie de Roberta Close, exuberante, branca e linda. Infelizmente, Ariadna não foi privilegiada pela beleza e pelo carisma que esta desperta. Somente por isto, na hora de escolherem entre elas e outros/outras samambaias inúteis do programa, a preferência do povo, guiada pelo preconceito demolidor, defenestra “a pecadora”, a execrável criatura que teve a ousadia de assumir o corpo que condiz com a sua alma feminina, com a sua mente de mulher.

Nota mil para Jaqueline pela grandeza de alma, pelo despojamento de preconceitos que teve a sensibilidade de tomar Ariadna nos braços e tentou consolá-la e tranqüilizá-la pela aflição em que ficou após ter assumido ser garota de programa. Jaqueline, que em sua negritude, bem sabe a cor e o sabor amargo da discriminação preconceituosa disse-lhe que existem pessoas preconceituosas, sim”.

Tanto a indicação de Ariadna foi fruto do preconceito machista de Cristiano, quanto à eliminação dela seria uma manifestação decepcionante do tão negado preconceito dos brasileiros. A blogsfera está mobilizada em sua grande maioria para impedir a eliminação de Ariadna. O voto em Janaína é que tem força para salvar Ariadna. Votar em Lucivaldo só prejudicá-la. Vamos testar, mais uma vez se temos a mesma força que tivemos em outras campanhas em defesa de algum/a emparedado/a.