16 de setembro de 2013

Se se morre de amor...

No domingo, eu estava na casa de uma amiga assistindo à final da Copa, quando a filha desta, em meio às tagarelices com outras jovens, contava o final de um romance do autor português, Camilo Castelo Branco, que acabara de ler, no qual o protagonista, impedido de casar-se com a sua amada, adoece de tristeza, definha e morre de amor. As outras começaram a questionar a verossimilhança da história, atribuindo o final trágico aos exageros da mentalidade romântica e sentimentalista do século XIX. A mais descrente delas resolveu perguntar para o irmão, que passava pelo grupo, se podia alguém morrer de amor. Não pude perceber a resposta do jovem dada em meio a rumores de risadas e de falas alvoroçadas do grupo.
Esta pergunta, no entanto, trouxe-me à memória o poema de Gonçalves Dias, poeta do Romantismo brasileiro, que tem como título esta mesma indagação: “Se se morre de amor” . Falei para as jovens sobre isto, relatando a história romântica que envolve a composição do poema, prometendo-lhes que postaria aqui no blog alguma coisa sobre o assunto. Ora bem, eu pensava que a moçada não dava bolas para poesias de amor, que achavam brega as aventuras e desventuras românticas. Enganei-me. Entre muitas adolescentes, ainda sobrevivem almas românticas e sonhadoras que acreditam no amor, da mesma forma como perdura a eterna busca do “outro” e da completude inerente à reciprocidade amorosa. 

Na poesia "Se se morre de amor", um dos mais belos poemas de Gonçalves Dias, este estabelece a diferença entre o amor falso e o amor verdadeiro. Para ele, o amor falso é aquele nascido em festas, encontros fugazes, e desse amor não se morre. O amor verdadeiro é mais puro, os apaixonados experimentam efeitos parecidos com aos da contemplação religiosa: "Sentir sem que se veja a quem se adora. Segui-la sem poder fitar seus olhos”. E é desse amor que se morre. 

Ler a poesia sem conhecer o drama amoroso do poeta que lhe deu origem, equivale a perder muito da áurea romântica e humaníssima que a envolve. Portanto, vamos antes conhecer um pouco da triste e sofrida história do amor irrealizado de Gonçalves Dias e Ana Amélia.


"Gonçalves Dias viu Ana Amélia pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era ela quase uma menina, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias "Seus olhos" e "Leviana". Depois, indo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a São Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família.
" A família da linda Don`Ana -- como a chamavam -- tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que todo este apreço era, naquele tempo no Maranhão, o preconceito de raça e de origem. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento. O poeta era homem de cor, filho bastardo de pai português e de mãe mestiça das raças indígena e negra.
" Por seu lado o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor de Ana Amélia ou à amizade dos seus preconceituosos pais. Preferiu sacrificar aquele a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que sempre revelou nos mínimos atos de sua vida. Tomado de tristeza, o poeta partiu para Portugal. A sua renúncia foi tanto mais dolorosa e difícil por que Ana Amélia, que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou, dura e amargamente, em uma carta por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la!
" E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Ana Amélia, por capricho e para fazer acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações. Ana Amélia sofreu muito na companhia do marido ciumento e grosseiro.
"Quis o destino que, em Lisboa, num jardim público, certa vez se caprichoso de defrontassem o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado àquela que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. Desvairado pelo encontro inesperado e por não ter sido cumprimentado pela jovem (decerto temerosa da reação do ciumento marido), que lhe reabrira as feridas e agora dem modo irreparável, compôs as estrofes do longo poema "Ainda uma vez -- adeus --" as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue," segundo foi falado na época.
A poesia “Se se morre de amor”, foi também inspirada na dor pela perda de Ana Amélia, uma dor que o acompanhou até seu fim trágico, no naufrágio, na costa do Maranhão, do navio que o trazia de volta à terra natal, já muito doente. Todos se salvaram, menos o poeta que foi esquecido pelos demais em seu leito, morrendo afogado.
Como a poesia é muito longa, transcreverei apenas um trecho da mesma:. 

SE SE MORRE DE AMOR!

Se se morre de amor! - Não, não se morre, 
Quando é fascinação que nos surpreende 
De ruidoso sarau entre os festejos; 
Quando luzes, calor, orquestra e flores 
Assomos de prazer nos raiam n'alma, 
Que embelezada e solta em tal ambiente 
No que ouve e no que vê prazer alcança! 
Simpáticas feições, cintura breve, 
Graciosa postura, porte airoso, 
Uma fita, uma flor entre os cabelos, 
Um quê mal definido, acaso podem 
Num engano d'amor arrebentar-nos. 
Mas isso amor não é; isso é delírio 
Devaneio, ilusão, que se esvaece 
Ao som final da orquestra, ao derradeiro 
Clarão, que as luzes ao morrer despedem: 
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam, 
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente 
Alma, sentidos, coração - abertos 
Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos, 
D'altas virtudes, té capaz de crimes! 
Compreender o infinito, a imensidade 
E a natureza e Deus; gostar dos campos, 
D'aves, flores,murmúrios solitários; 
Buscar tristeza, a soledade, o ermo, 
E ter o coração em riso e festa; 
E à branda festa, ao riso da nossa alma 
fontes de pranto intercalar sem custo; 
Conhecer o prazer e a desventura 
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto 
O ditoso, o misérrimo dos entes; 
Isso é amor, e desse amor se morre! 

Amar, é não saber, não ter coragem 
Pra dizer que o amor que em nós sentimos; 
Temer qu'olhos profanos nos devassem 
O templo onde a melhor porção da vida 
Se concentra; onde avaros recatamos 
Essa fonte de amor, esses tesouros 
Inesgotáveis d'lusões floridas; 
Sentir, sem que se veja, a quem se adora, 
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos, 
Segui-la, sem poder fitar seus olhos, 
Amá-la, sem ousar dizer que amamos, 
E, temendo roçar os seus vestidos, 
Arder por afogá-la em mil abraços: 
Isso é amor, e desse amor se morre!
(Gonçalves Dias)

25 de agosto de 2013

A Fazenda: Produto sob encomenda para o lixão!



A cada dia o nível de vilania pegajosa e desclassificada sobe mais de nível no programa A Fazenda 6, um arremedo mal acabado e caricata do Big Brother Brasil. Não bastasse as canalhices, as zombarias, os risinhos de mofa e toda sorte de humilhação e desrespeito para com Denise Rocha, agora até o apresentadorzinho medíocre, sem classe e completamente destituído de cavalheirismo, refinamento e educação, sem o mínimo senso de profissionalismo e compostura uniu-se à corja de desclassificados selecionados para a edição em causa, para praticarem bulling na bela participante em rede nacional, durante o andamento dos trabalhos para a formação da roça, tal como aconteceu hoje, enchendo-me de asco.
 A atitude de todos com Denise foi reles, tão reles o quanto é esse reality preparado sob medidas para a classe D ou F, bem dignas do bom e refinado gosto da turma do extinto Carandiru.
Claro que a Record não é nenhuma Globo, com seu aparato de primeiro mundo, com uma produção que se esmera na qualidade dos produtos que oferece e com um alto nível de profissionalismo que não perde para as melhores emissoras do mundo. Todavia, não precisa descer tanto, como se estivessem produzindo um reality segundo o gosto da bandidagem do PCC, Comando Vermelho e congêneres.
O que se passou na roça de hoje excedeu em muito os limites da compostura, do bom gosto, para afundar no fétido lamaçal da pulhice, todos se comportando como canalhas, moleques, gentalha de quinta categoria. E tudo muito bem apoiado pelo senhor Brito Junior, inclusive com um legado da sua mediocridade, da sua falta de respeito por uma mulher que estava sendo destroçada moralmente, xingada, sendo alvo das chacotas de um bando de arremedo de homens da mais baixa categoria.
Um japonês baixotinho, cuja pior nanicagem é a mental e a moral, um sujeitinho sórdido que justificava seu voto contra Denise com um deboche vergonhoso, enquanto os demais gozavam na risota, no sarcasmo e nos comentários reles, a desconstrução que faziam da auto estima, do controle emocional e da dignidade da moça. Até os remédios controlados que ela necessita tomar foram evocados como motivos de xacota piadinhas de mal gosto acerca da sua sanidade mental. Insinuações levianas e maldosas eram ditas sem que o apresentados, conivente com a execração pública da jovem, tentasse coibir a os abusos.

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22 de agosto de 2013

Quando a sordidez triunfa!



Sem a mínima competência para gerenciar um reality show de qualidade, interessante, de bom nível lúdico e moral, a primaríssima direção do evento insiste em forjar mistério em a mínima condição de provocar expectativas inteligentes que atraia o interesse dos espectadores. Ao contrário disso, gera uma série de desconfianças, devido à falta de transparência pelo excesso de salamaleques para darem a impressão de que estupendas surpresas vão ocorrer, provocando espanto e fruição de momentos de incríveis entusiasmo em todos. Tudo balela, tentativas de ludibriar o público , proteger alguns afilhados já escolhidos para vencerem o programa.Enquanto isto, fazem os outros concorrentes de paspalhos, e do público uma cambada de otários descerebrados. 

Para os que, já decepcionados com o andamento calhorda do programa, a direção de “A Fazenda 6” afunda, cada vez mais, na lama fétida da falta de transparência, da tapeação, das armações de bastidores, inclusive com a colaboração da mãe de uma das participantes, ávida pelos milhões e capaz de tudo para fazê-los chegar à conta bancária de sua aguada e ardilosa filha. 

Aliás, este procedimento desonesto já vem sendo posto em prática desde A Fazenda de Verão. Deforma escandalosa e explícita. Uma das evidências mais constantes dessa falta de transparência e de manipulações criminosas é o fato repetitivo de que ninguém sabe com antecedência o conteúdo da arca que é semanalmente aberta durante as votações, tendo ainda o agravante de ficar a mesma em um local da casa sede de fácil acesso a qualquer ninja que lá entre, na madrugada e troque os envelopes. Da mesma maneira duvidosa ocorreu quando um eliminação foi suspensa, há semanas passadas, sem nenhum aviso prévio ao público, como se esse mesmo público fosse uma manada de antas e toupeiras que não percebesse que alguma manobra ordinária fora aplicada para beneficiar alguém do interesse do sr. Carelli, cujo nome não é necessário mencionar, de tão sabido e claro. Isto, repetindo mais uma vez, sem nenhum aviso para o público que gasta com telefone, que perde tempo votando, ficando claro mais um golpe calhorda. 

Para dar uma disfarçada Desta vez, no último sábado (17), a produção do reality show decidiu avisar de antemão ao público que esta semana nenhum participante deixaria o programa, mas sem nada mais ser acrescentado, dando chances, assim, de mudarem as regras do jogo, se a eliminada não fosse a Barbye Evans. Todavia, pela falta de lisura e de competência até para ser desonesto, todo o aparato ridículo de Brito Junior para dar um aspecto mais transparente e mais claro ao procedimento da disputa foi um fracasso formidável, sem brilho, sem glamour. A roça que planejaram para ser apoteótica entre Bárbara, Denise e Yani nesta terça-feira (20), resultou em uma apagada, sem graça e medíocre farsa.

Ora, somente o público sabia que as três disputavam uma imunidade e que as duas perdedoras iriam para o celeiro até o sábado. O que aconteceria com elas, ninguém na fazenda sabia.. Bárbara saiu vencedora, mas os espectadores não souberam sua porcentagem. Numa tentativa de esconder prováveis favoritismos, a direção optou por esconder a quantidade de votos que cada peoa recebeu. Pegou mal. O público tem o direito de saber o desempenho de cada participante. Ele precisa ver seu voto representado. Existe, inclusive, uma empresa de auditoria contratada para garantir os resultados. Mas como confiar num resultado que não pode ser visto? Difícil.

Num reality show, a graça está em ver os participantes serem surpreendidos. O espectador não só gosta como precisa saber de tudo o que vai acontecer antes. É quase como se ele brincasse de Deus, decidindo o futuro dos confinados. Ao fazer o jogo ser tomado por mistério, a Record peca pela falta de clareza. Há que se ter transparência. Da mesma maneira, necessita-se de melhor planejamento. Se o fato de Denise e Yani irem para o celeiro deveria ser tratado como segredo, certamente ele já caiu por terra, uma vez que Bárbara ouviu as colegas comemorando. Esta é uma das melhores edições já realizadas de “A Fazenda”, mas falta aparar algumas arestas. Certos detalhes e cuidados são fundamentais.

E há mais para completar o quadro da baixaria fétida desse reality: o clima de violência generalizada, homens brutamontes agindo como trogloditas, agredindo as mulheres com covardes cusparadas no rosto, jogando-lhes baldes com água suja no rosto, latas vazias de cerveja, sacudindo esfregões encharcados de água enlameada no rosto de Denise, além das maledicências mais infamantes, as alusões mais pérfidas. Todavia, os shows de vilanias não fica apenas por conta dos covardões calhordas. Também as mulheres comportam-se como desclassificadas, trocando injurias com palavreado de baixíssimo calão, comportando-se como ordinárias, sem noção de respeito r dignidade.

Como muito bem escreveu Homero, “o que estão fazendo com a Denise é "bullying", apesar das reações de defesa e contra-ataque dela, sempre sem se exceder e até nem falar palavrões, sendo cuspida incessantemente por todos. E só, pois nem a Yani e o Marcos são seus amigos, pelo contrário, mesmo sua "amiga" das duas últimas semanas Andressa, virou fera e a agrediu , quando percebeu que a Bárbara estava forte, assim como a falseta da Yani, Marcos e Paulo, sendo que, o Marcos não precisa fazer jogo, pois já está na final.”

A agressão de Andressa contra Denise ontem foi planejada com Yane.segundo Andressa, era hora de começar a estressá-la, já que ela estava no celeiro, talvez na roça, para deixa-la nervosa e desestabilizada. Isto tem nome: CRUELDADE, SADISMO, VILANIA, COISA DE RAMEIRA. 



Continuo grande admiradora de Denise. Para mim, a única que merece ser a vencedora dessa Fazenda. No entanto, sei que o prêmio já tem dono. Até os paspalhos que estão na fazenda não enxergam que estão apenas fazendo figuração até o dia de verem Bárbara sair milionária nas barbas deles. Bando de mfrouxos!