18 de maio de 2010

Mulheres afegãs: o mundo visto através da "burca".

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Na revista Veja desta semana há uma reportagem sobre a condição de vida das mulheres no Afeganistão. É espantoso o que a repórter relata, especialmente para nós que vivemos em uma sociedade aberta e esclarecida. É inconcebível que em pleno avanço do terceiro milênio, ainda existam seres humanos vivenciando um atraso cultural que remonta ao obscurantismo da Idade Média, com leis e costumes cruéis e desumanos que superam o maquiavelismo do famigerado “Santo Ofício da Inquisição” , que praticou tantos crimes hediondos, contra as mulheres e supostos hereges, em nome de Deus.


Thaís Oyama, depois de visitar o país para conhecer de perto a realidade das mulheres, concluiu que nascer no Afeganistão é uma maldição, um pesado martírio para qualquer ser humano. O país é um dos cinco mais pobres do mundo e o segundo mais corrupto. A desnutrição atinge 70% da população e a expectativa de vida é de 43 anos. Segundo o relatório da Unicef, é o lugar mais ameaçador do mundo para uma criança nascer, especialmente se for do sexo feminino e pobre.
Nove anos depois da queda do regime do Talibã, as afegãs continuam esmagadas pelo pesado e cruel fundamentalismo religioso. Na rua, a maioria usa a burca, a roupa que cobre o corpo feminino dos pés à cabeça e que era um uniforme obrigatório no tempo da milícia talibã. As mulheres são privadas de qualquer regalia, inclusive do direito à escolaridade. Embora as escolas para elas não sejam mais proibidas, as estudantes representam uma ínfima parte da população e mais da metade das afegãs ainda se casa antes dos 16 anos – salvo raríssimas exceções – com homens escolhidos pela família, mesmo contra a sua vontade. No ano passado 102 colégios para meninas do país foram alvos de ataques atribuídos a membros do Talibã contrários à educação para as mulheres. Em três colégios, as alunas e suas professoras foram vítimas de um gás não identificado jogado na sala de aulas, há pouco tempo.

Sob o radicalismo medieval do Talibã, as mulheres que saíam às ruas desacompanhadas do marido ou de um parente do sexo masculino eram castigadas a chibatadas. Hoje a proibição não existe mais, porém as afegãs continuam numa espécie de cárcere privado, pois, para elas, qualquer lugar onde haja aglomeração masculina é considerado impróprio, o que inclui mercados, feiras, cinemas e parques. A segregação sexista faz com que até nos saguões dos aeroportos e nas festas de casamento exista um “setor feminino” – só no primeiro caso não formalmente delimitado. Nas bodas em que as mulheres aparecem maquiladas e com belos vestidos, quase sempre há dois salões – um para eles e outro para elas. Poucas se arriscariam a desafiar as proibições sociais.

A aplicação de castigos físicos a mulheres de “mau comportamento” continua a ser vista como um dever e um direito da família. Como revelam as pesquisas feitas com 4.700 afegãs, 87% delas já haviam siso vítimas de violência ou de abusos sexuais e psicológicos, em 82% dos casos infligidos por parentes. O Afeganistão livrou-se do jugo do Talibã, mas não conseguiu varrer o obscurantismo religioso que ele ajudou a disseminar. A interpretação radical e misógina dos princípios do Islã é a principal causa da tragédia das mulheres afegãs e da autoimolação praticada por elas, levadas pelo desespero. Em geral as suicidas têm entre 15 e 26 anos.

A média anual das tentativas de suicídio pelas afegãs, ateando fogo ao corpo, é de 80 casos. A incidência é tão alta na província de Herat, próxima a Cabul, que o principal hospital da região montou uma unidade para atender exclusivamente a casos assim. Uma das suicidas entrevistada pela reportagem da Veja disse que estava cansada de viver, casara-se aos 10 anos de idade, engravidou seis vezes (sofreu três abortos espontâneos) e era maltratada pela sogra. Levada pela fome, a sua mãe a vendera por 4.300 dólares ao homem com quem estava casada, um comerciante com idade para ser seu avô.

Nuvens escuras continuam a pairar sobre o Afeganistão, principalmente sobre a cabeça das mulheres: uma lei recentemente aprovada obriga a esposa xiita a fazer sexo com seu marido sempre que este exigir, sob pena de ser privada de sustento por ele. É o chamado “estupro marital” tornado legal para a minoria xiita. É inacreditável tal barbaridade, mas infelizmente é verdade. Mulheres vivendo sem afeto, tratadas como um objeto de uso pessoal do marido, sem direito de escolha, maltratadas e desrespeitadas em sua dignidade por homens toscos, insensíveis, dotados de uma mente primária e embrutecidos por uma cultura milenar e ultrapassada que não admite mudanças.

Que país é este, meu Deus! Até quando as mulheres afegãs vão viver encarceradas numa burca, símbolo da usurpação da liberdade que, como ser humano e como cidadãs, elas têm direito? Quem sabe, as novas gerações de mulheres, que já começam a ingressar na política, seja o começo das mudanças? Sim, se não forem assassinadas por fanáticos xiitas...
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Fonte: Revista Veja.
                                                  

15 de maio de 2010

Os estragos que a passagem do tempo faz!

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Fiquei espantada, quando vi as fotos atuais de Brigitte Bardot, a mulher que arrebatou as platéias do mundo inteiro com a sua sensualidade picante, com a sua exuberante beleza de ninfeta. Ela ficou famosa com a cena de nudismo no filme E Deus criou a mulher, dirigido por seu então marido Roger Vadin. Ela tinha 16 anos quanto começou a filmar, já casada com o cineasta que a descobriu e do qual se separou para viver um romance e um curto casamento com Sacha Distel, um cantor famoso da época, com quem teve seu único filho: Nicola.

Esta foto foi tirada em fevereiro de 1955 em sua primeira visita a Londres para promover o filme Doctor at Sea, em que atua junto com Dirk Bogarde. Ela estava com 20 anos.

No ano de 1958, Brigitte Bardot participa de dois filmes En Cas de Malheur e Les Bijoutiers du Clair de Lune. A atriz estava, na época, com 23 anos de idade. Ela estava no esplendor de sua formosura e fama. Distel morreu em julho, neste ano, aos 71 anos de idade.



Fervorosa ativista dos direitos dos animais, Brigitte Bardot responde perguntas durante um programa na televisão de apoio à Sociedade Protetora dos Animais da França. A foto acima foi tirada em fevereiro de 1988 , quando a atriz estava com  53 anos , ainda bem conservada.

 

Em seu aniversário de 70 anos de idade, Brigitte Bardot disse à revista francesa Ohla!: "Obrigado a Deus por me permitir ir tão longe. Mas, ao mesmo tempo, eu preferiria ter 30".  O envelhecimento da ex-atriz é assombroso. Comparo-a com várias pessoas que conheço, com a idade dela e constato que da bela jovem, de corpo perfeito e rosto lindo, já não resta nada. Talvez a pele enrugada e baça se deva ao excesso de sol.  

Brigitte  viveu muitos anos numa casa situada numa praia particular, com muitos animais, sempre com roupas sumárias e levando muito sol. Ela é  muito mais nova que Sophia Loren. A célere passagem do tempo é inexorável, não poupa a beleza e a juventude, sai arrastando e transformando tudo em seu fluir contínuo. Abaixo, fotos de Sophia Loren muito bem para uma octogenária senhora.


Há mulheres que custam mais a desmoronar, a serem deformadas pela flacidez e o plissado das rugas. Sophia Loren, Elizabeth Taylor, bem mais velhas que Brigitte,  e Lionar Magalhães são exemplos de atrizes que envelheceram sem mudarem tanto, sem perderem os traços de beleza que tinham nos verdes anos. Abaixo, Elizabeth Taylor aos 18  e aos 80 anos.


Não interessa se fizeram plástica para manterem o rosto menos envelhecido. Sei que Briggite não se submeteu a nenhuma plástica.  Pouco se importa com beleza e envelhecimento. Quando abandonou o cinema, agiu assim por não suportar a invasão da mídia em sua vida privada, por não aguentar mais o pesado fardo de ter que representar o papel do símbolo sexual, da mulher frívola  e superficial que ela nunca foi. Se voltou a relacionar-se com algum homem, ninguém sabe, ninguém viu. Acredito que escolheu a vida solitária por puro gosto. Admiro demais esta mulher sensível e humaníssima que tem sido Briggite ao longo de sua vida.

                                                         

A mulher de alma leve

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Quando minhas clientes me perguntam sobre como se comportar para não despertarem a ira de seus parceiros que parecem estar sempre prontos para um disparo verbal em tom de rojão, ou como se comportarem para manterem seus parceiros fieis, dou a elas o exemplo dos relacionamentos dos homens maduros com as ninfetas, que além de os completarem porque elas tem todos os atributos físicos que as parceiras maduras e companheiras de anos já perderam, têm ainda o apetite sexual (por eles) em segundo plano, o que não exige deles muito desempenho neste sentido (o que de certa forma, é bem conveniente após a maturidade masculina), sabendo representar como atrizes, fingindo ter orgasmos duplos e rindo de qualquer piada ridícula que eles contem. Esta seria no mínimo uma hipótese a ser ponderada, não é mesmo?
As meninas (terror das esposas da modernidade) os chamam de tigrão e de meu rei ao passo que as maduras, são chatas porque discutem a relação e fazem contas do dinheiro que o casal tem porque não acham graça em sair torrando todos os tostões economizados ou ganhos no mês com viagens, compras de objetos caros, jantares românticos, perfumes importados. São pesadas porque priorizam a reforma da casa, a educação dos filhos, a aposentadoria segura. Abrem mão de motéis, fantasias eróticas, aventuras loucas a dois e tudo o que apimentaria aquela relação que há anos caminha na mornidão. É importante citar aqui também as novas esposinhas, recém casadas, iludidas do poderio sobre o parceiro, mãezonas demais, que no primeiro ano de casamento esquecem-se de serem namoradas de seus maridos e passam a valorizar tanta bobeira antes do amor dos dois como: casa arrumada demais, caderneta de poupança, filhos que tomam seis banhos por dia e comem a papinha a 25 graus, finais de semana inteiros na casa dos parentes...
Não que não se deva ser sensata e equilibrada, mas é preciso ser sábia no sentido de alimentar a alma masculina com a pitada certa de luxúria que sabidamente eles vão buscar nos "Night Clubs", nas termas e nos milhares de anúncios de jornais que oferecem horas de prazer e total descontração nos braços de uma universitária, loira, 18 anos, divertida e completa. To pegando pesado? Temos mesmo que continuar fazendo de contas que isto não existe?
A mulher que finge, consegue abstrair na medida certa, das preocupações do cotidiano e levar o parceiro ao mundo dos sonhos e da ilusão, ao que ele finge não dar valor porque tem que se mostrar sempre muito sério e responsável, mas que no íntimo aprecia bastante. O homem que tem este tipo de mulher ao seu lado se sente poderoso e cheio de vida. Um verdadeiro garanhão.
A mulher sincera faz questão de mostrar a ele diariamente exatamente o contrário disso, talvez por causa de suas carências ocultas, cobrando dele atitudes, representações, desempenho sexual e afetivo em nível de romance, mais e intermináveis recursos financeiros. Loucuras controversas, porém vividas diariamente por casais de todos os tipos.

"A mulher sincera é aquela que se auto designa para o relatório diário dos tormentos domésticos e a exposição dos problemas tão pronto o homem põe os pés no lar. A mulher fingida é aquela que, quando o homem chega em casa e pergunta se está tudo bem, responde, ajeitando a camisola: "Agora vai ficar melhor". Citando Paulo Sant'ana.
Não sei se me fiz entender bem neste artigo. Em suma, o que tentei dizer aqui é que temos que ter a dose certa para tudo na vida. Nada de essa coisa de ser muito pegajosa, sincera, certinha, controladora. Um pouquinho do que se critica nas chamadas "mulherzinhas de plantão", também deve ser posto em pratica na relação com o seu parceiro.
Fique atenta, preste atenção, não somente critique a existência de mulheres leves e capazes de ameaçar o relacionamento de vocês dois. Seja razoável e entenda que existe uma demanda que justifica e existência delas. Compreende?
Jussara Haddad
Terapeura holística, especialista em sexualidade
                                   

4 de maio de 2010

Mulheres que Amam Demais

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Em um tempo onde o desamor deflagra guerras, exclussões e solidão; onde muitas vezes é fato gerador de conflitos, traumas e violência e onde é preocupante e necessário o trabalho de profissionais, educadores e famílias no sentido de motivar valores, dentre eles AMOR; como pré-condição de respeito, crescimento e humanização, me vejo agora falando de um grupo, que tive o prazer de conhecer - Grupo Mada (Mulheres que amam demais anônimas).

E incluem-se aí mulheres que amam demais os filhos, a família, o parceiro sentimento no qual chamamos de dependência de pessoas. Mulheres que ultrapassam os próprios limites por amor, por excesso de amor; e que por ultrapassarem, por se excederem, perdem a noção do comportamento que desenvolvem na relação elas retificam-se, redimem-se, mas reincidem nestes comportamentos. E este círculo vicioso acaba levando-as a comportamentos auto-destrutivos e a sintomas de doenças.

O ser humano necessita de uma identidade, onde o mais importante não é o que "ele é", mas "quem ele é". Ele precisa saber o que sente, porque sofre, o que lhe faz bem, o que é melhor para ele. A partir daí, sendo consciente de suas potencialidades e fraquezas, se comunica melhor com o outro. Porque é o "outro" da relação que lhe confere a identidade. Nesta comunicação mais verdadeira e inteira, está a possibilidade do amor, que é a disponibilidade de um em relação ao outro, cada envolvido abrindo mão do próprio egoísmo. Mas isso talvez fosse o ideal e muitas vezes é difícil até se aproximar do ideal.

Quase todos procuram realizar o que seria ideal, mas muitos sentem dúvidas e é inevitável que as coisas aconteçam freqüentemente de modo diferente do que esperavam. A partir daí surgem perguntas como:

Será que ele vai demorar?

Ele pode gostar de mulheres mais bonitas?

Ele não gosta mais de mim?

Por que prefere tudo e todos a ficar comigo?

São freqüentes questionamentos a que estão submetidas as "madas" pelo mundo afora, e olhe que elas são muitas e em crescimento. A estes questionamentos somam-se sentimentos de ciúmes, dor, medo, aflição, frustração.

De certa forma incapazes de demonstrar suas emoções de outra maneira, as "madas" desenvolvem comportamentos e atitudes de perseguições constantes, vigilância, superproteção e até agressividade. Isto mesmo. Feridas até a alma no seu amor, agridem o objeto deste amor.

É complexo, mas é rotineiro. A rede Globo enfoca mais uma vez, um tema de grande alcance e toda a mídia vai trilhando o mesmo caminho. Que bom! Muito positivo o esclarecimento que surge daí, que irá refletir em busca de soluções para milhares de pessoas. Melhor ainda quando tantas mulheres, sufocadas pelo próprio sentimento, se percebem em outras, com histórias semelhantes, com medos e dores, mas também esperanças. É esta esperança que as motiva a buscar o grupo, a persistir no grupo e a trazer novas pessoas. Fortalecendo o crescimento pessoal.

Como participante em reuniões de AA. NA. e MADA, pude constatar a importância da freqüência ao grupos de apoio para dinamização da partilha, do encontro, do reconhecimento, da coragem e da cura.

Deixar de lado a maneira como colocam a própria felicidade na mão do outro, modificar padrões, assumir que até então eram fracas diante da relação, acreditar que podem fazer juntas o que não conseguiram sozinhas são fatores de motivação para freqüência aos grupos.

Como psicanalista, acho muito importante o grupo Mada uma vez que são constantes em consultório, queixas de mulheres que sufocadas pelo amor que dizem sentir, se anulam vivem pelo "outro" e não "com o outro", impedem os filhos de crescerem, não estabelecem metas nem objetivos pessoais, não realizam atividades sem a presença do parceiro, diminuem o convívio sócio-familiar, sentem ciúmes exagerados e medo constante de perder seu objeto de amor. Não crescem, pelo menos não como poderiam, afetiva nem profissionalmente. E depois de tanta dedicação, ao menor indício de falha ou falência do relacionamento estabelecido, se anulam mais, ficam deprimidas, inseguras e sentem –se injustiçads . Nutrem sentimentos de amor e ódio. Por terem doado tanto, queriam muito também. Precisam da segurança e da fidelidade como do ar que respiram.

Precisam do amor. Mas do dar e do receber! Entre os extremos do desamor e do excesso do amor existe o equilíbrio. Tem-se como buscá-lo. É possível encontrá-lo. Existem caminhos!

Que estas mulheres continuem anônimas e respeitadas nas suas profissões, seus endereços, nomes e parentescos. Mas que suas dores se revelem, para que deixem de doer!
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Bibliografia sugerida:

- Mulheres que Amam Demais
- Mulheres vencedoras
- De Mariazinha a Maria
- Mulheres boas vão para o céu, as más vão para a luta
- Adeus Bela Adormecida.
- Mentiras que os homens contam.

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Vânia Fortuna é psicanalista e conselheira em dependência química
 na clínica Psicomed